11 de maio de 2016

Diário de Ilhéus (1)


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DIA 1
4 Maio 2016

Depois de semanas de espera, era o tempo pra realizar o trabalho para o qual estou na Madeira, trabalhar com aves marinhas. Infelizmente, o tempo não está acompanhando este ano. Laura e eu estávamos indo para Ilhéu do Farol duas noites, como ela me disse a minha primeira experiência "Ilhéu".

Atualmente, o esforço da SPEA Madeira no mar está centrada no estudo das populações pintainho (Puffinus lherminieri), uma espécies encontra-se localmente pelágicas nas águas tropicais e temperadas do Atlântico Norte, nidificando em vários arquipélagos europeus e americanos, como é o caso da "nossa" arquipélago.

O Ilhéu do Farol tem registos antigos de escutas, mas desde o inicio tínhamos dúvidas de que atualmente existisse nidificação do Pintainho no Ilhéu do Farol, e sendo esta visita importante para ter a certeza que não existe nidificação do pintainho, e concentrar os nossos esforços em outros ilhéus.

Tudo começa com a viagem para o Ilhéu de autocarro e bote, viagem efetuada com os guardas da natureza (do Parque Natural da Madeira) que fizeram a viagem com muita diversão, passando o tempo todo com piadas e "boas vibrações".

Chegando ao Ilhéu, a primeira coisa que fizemos montar o nosso acampamento, na verdade, acabamos armando tendas no abrigo de uma casa em ruínas (com fio dental).

Em seguida, caminhamos pelo Ilhéu, sendo esta muito menor do que parecia em primeiro lugar, e aproveitamos esta caminhada para identificar as melhores áreas de escuta.

Após descansar um pouco, tivemos com os binóculos a observar o voo das Cagarras(Calonectris borealis) , muito agueis no mar (exatamente o oposto na terra, onde eles não sabem nem aterrar).

Mesmo antes do anoitecer, dirigimo-nos ao primeiro ponto de escuta, e jantamos tranquilamente, ao barulho continuo da gaivotas até os últimos raios de sol, logo, começou um silêncio quase por completo, que durou quase meia hora, e de repente o som tão característico das Cagarras, começou a soar. Primeiro ouvimos apenas um tímido individuo e após alguns segundos uma grande multidão de machos.

Eu sentia (por ser de noite, sem lua e não conseguir ver nitidamente) como passavam as Cagarras macho perseguidos por uma fêmea, e vice-versa. (Como curiosidade, a fêmea desta espécie, ao contrário dos humanos, apresentam um tom mais grave).

Entre todas as Cagarras foram ouvidos Roques de Castro, com um vôo rápido, poderia até sentir mudanças bruscas de direção (ou talvez fosse a minha imaginação). Também ouvimos almas negras muito perto.

Depois de um tempo, tudo estava calmo, com vocalizações muito menos frequentes, e não tendo ouvido nenhum Pintainho, decidimos procurar ativamente o ninho, de modo que toda a área potencial escolhida para essa noite foi traçada, olhando os espaços entre as pedras que poderiam ser potenciais para nidificação de pintainhos, mas infelizmente, como nós presumimos não encontramos nenhum. Por outro lado, encontrámos muitos ninhos potenciais de cagarras e almas-negras.

Já passado da meia-noite, ao voltar-mos para a tenda, podiamos ver o chão cheio de besouros, em cima de perpétua da Ponta de São Lourenço(Helichrysum devium) foram contados em dezenas. Percebemos que uma alma-negra tinha o seu ninho muito perto do nosso acampamento, por isso, o seu som característico, que lembra um cão, acompanhou-nos durante a toda a noite.

Assim foi o meu primeiro dia no Ilhéu, na próxima entrada ... o meu segundo dia.



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DAY 1
May 4, 2016

After weeks waiting, it was time to do the job I was in Madeira for: working on seabirds. Unfortunately, weather has been hell this year. Laura and I were going to Ilheu do Farol for two nights, in how she called my first “Ilheu experience".

SPEA Madeira’s current work at the sea focuses on the study of populations of Audubon's Shearwater (Puffinus lherminieri), a pelagic species found in tropical and temperate waters in the North Atlantic that breeds in various European and American archipelagos, as it is the case of "our" archipelago.

There were old registered records in Ilheu do Farol but it was highly doubted from the beginning that the Audubon's Shearwater had actually nested. This visit was important to ensure the absence of Audubon's Shearwater nests and therefore put our efforts elsewhere.

Everything started with the trip to Ilheu, first by car and then by zodiac boat" during which I had the chance to meet some of the park rangers (acronym Park) who made the trip fun, it was all jokes and "good vibes".

Arriving at Ilheu, the first thing we did was unload the supplies and set our camp. We eventually set up our tents with dental floss sheltered under a dilapidated house. Then we strolled to Ilheu, this being much smaller than it first seemed; we used this walk to identify recording locations.

After resting for awhile, we watched the flight of Cory's Shearwater(Calonectris borealis) with binoculars, extremely skilled at the sea (just the opposite that on earth, where they can’t even land).

Right before nightfall we headed to the first recording point, where we ate quietly. The gulls’ squawks lasted until the sunlight was gone; then, we sank in an almost absolute silence that lasted for half an hour until it was interrupted by the sudden characteristical sound of Cory's Shearwater. It was first just a shy male, but only a few seconds later a large crowd of males began and wouldn’t stop, while females were only heard now and then. We felt (being a moonless night we couldn’t see clearly) a male Cory's Shearwater flying by, chasing a female and vice-versa. (As an interesting fact, this species females, unlike in the case of humans, is the one with a deeper voice).

In addition to the Cory's Shearwater, we heard the Band-rumped Storm-petrel(Hydrobates castro), which flew fast and I could even feel them suddenly turning directions (or maybe it was my imagination). We could also hear some close Bulwer's Petrel(Bulweria bulwerii). After a while, vocalizations became less frequent and the calm returned; as we didn’t hear any Pintinho, we decided to actively look for the nest and the chosen zone for the night was completely tracked. We searched every gap between rocks that could be a potential nesting site for Pintainhos, but unfortunately as was expected we found nothing. What we did find was a lot of Cory's Shearwater’s and Bulwer's Petrel’ nests.

After midnight, we got back to the camp and in our way we saw the ground crowded with beetles; there were hundreds on the top of Ponta de São Lourenço's Immortelle Helichrysum devium. As we arrived, we noticed a Bulwer's Petrel had its nest quite close to the campsite, so this characteristical sound (which use to reminds a dog) stayed with us during the night

That was my first day at Ilheu, my second one...coming soon.



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27 de abril de 2016

21 days in Madeira

After 21 days living in Madeira I write my first post on this blog called "Voluntários na Madeira". I would like to say something about my hopes working as a member of SPEA Madeira research team before telling you how these first weeks have been along.

When I was studying in the university, one of my most important complaints was that we never used to go outside and learn in the field. We were always studying for exams and tests but we didn't even know which trees were surrounding the campus. My favourite subjects are conservation and ethology and my dream is to dedicate my professional career to them, I want to work hard in order to achieve this goal. That's why I believe my internship in SPEA Madeira will be so important, we work in the field and learn every day. In barely few weeks we have learnt so many thing about Madeira's flora and fauna: Fea's petrel and Zino's petrel, the biggest colony of Cory's shearwater is located in Savage Islands, the beautiful Common tern, the tiny Madeira firecrest, Madeira wall lizard (you can find them everywhere), the endemic Madeira laurel pigeon, the evasive Madeira sparrowhawk, laurissilva forest and its amazing trees, Madeira orchid, Massaroco and Monarch butterfly...


Massaroco and Monarch butterfly on it


The days pass so quickly here. I work in a project about conservacy and protection of Madeira sparrowhawk, it's called Project LIFE Fura-bardos. We have already started to search new nest, nowadays is the time of hatching. The female remains close to the nest, taking care of the eggs and hatching them while the male can go further to prey on. We have visited Serra d'Auga, Quinta das Eiras, Porto Novo, Canhiço... many levadas and veredas (traditional walks through the island of madeira that bring water from the north to the south) that allow you to be in so wonderful and secret places where tourist usually don't go. Breathtaking landscapes that impresse you because of the contrasts of Madeira: the endless beauty of the ocean and the magnificient mountains, from sun to rain.


Serra d'Água

An arboreal fern

This internship is going to allow me to stay in Madeira for six months, to learn and enjoy. But most of all to continue this project I started 5 years ago in Santiago de Compostela, when I made up my mind to study biology. I feel so truly thankful to SPEA Madeira team because they gave me an incredible chance and I will take advantadge of it!!


Vereda do Larano


25 de abril de 2016

21 dias na ilha da Madeira

Há 21 dias na ilha de Madeira este é o meu primeiro post no blog "Voluntários na Madeira" e, antes de contar como têm sido as primeiras semanas na ilha, gostaria de falar sobre as minhas expectativas durante o estágio na SPEA Madeira.

Na época de estudante, já na universidade, uma das eternas queixas eram as poucas horas no campo. Sempre a estudar para exames mas ir ao campo e aprender com a natureza era raro. A minha vocação é a conservação e o estudo do comportamento animal e também a ecologia. O meu sonho é poder dedicar a minha carreira profissional ao que realmente gosto, é por isso que considero a oportunidade de trabalhar com a magnífica equipa da SPEA Madeira muito importante para conseguir esse sonho. Em poucas semanas temos aprendido muitas coisas da flora e fauna da ilha: a freira-do-bugio e a freira-da-madeira, a maior colónia em todo o mundo de cagarra fica nas Ilhas Selvagens, os belos garajaus, o pequeno bis-bis, a onipresente lagartija-da-madeira, os pombos endémicos da ilha, o esquivo fura-bardos, a laurissilva com as suas incríveis árvores (barbusano, til, loureiro, folhado...), a orquídea da serra, o massaroco, a borboleta-monarca... O projecto LIFE Fura-bardos deu-me uma oportunidade única para aprender estas coisas, e todas as que ficam virão!  

Massaroco com uma borboleta-monarca, na promenade do Lido

Estes primeiros 21 dias têm passado muito rápido, já começámos a monitorizar a fase de incubação do fura-bardos, onde a fêmea fica próxima ao ninho e dedica-se basicamente á incubação, enquanto o macho pode realizar deslocações maiores na procura de alimento. Já fui à Serra d'Água, Quinta das Eiras, Porto Novo, Canhiço... muitas levadas e veredas que te permitem conhecer lugares que passam despercebidos a outras pessoas que visitam a Madeira. Paisagens preciosas que te deixam assombrado pelos incríveis contrastes da ilha, porque esta é uma ilha de contrastes: desde a beleza infinita do Oceano até as montanhas mais altas e escarpadas, do sol à chuva, dos turistas que procuram um café na zona velha aos que perseguem a beleza da alta montanha madeirense. 

Serra d'Água

Quinta das Eiras

Seis meses por diante para aprender, para conhecer e desfrutar, e sobretudo para seguir com este projeto pessoal que começou faz 5 anos na facultade de biologia de Santiago de Compostela e que agora segue com a equipa da SPEA Madeira e a sua enorme ajuda. Muitas vontades e ilusão, bem-vinda Madeira!

Vereda do Larano

P.S: E hoje dia 25 de abril, feliz dia a todos os portugueses, um dia para celebrar a liberdade e recordar que a luta pacífica pode triunfar com cravos.

18 de abril de 2016

Novos estagiários: Antón Álvarez Bermúdez e Daniel García Silveira

Antón Álvarez Bermúdez - Estagiário na SPEA Madeira

Nasceu na Galiza, mas residente em Almería, terminou recentemente a licenciatura em Biologia pela Universidade de Granada. Atualmente está na SPEA-Madeira, no âmbito do programa de estágio Faro onde permanecerá por seis meses colaborando no “LIFE Recover Natura”, e ajudando no censo e monitorização de aves marinhas.
Email: antonalvarez.spea@gmail.com




Daniel García Silveira - Estagiário na SPEA Madeira

Natural da Galiza, é estudante de biologia pela Universidade de Santiago de Compostela e actualmente encontra-se a escrever a sua tese sobre a ecologia trófica da garça-real. Durante seis meses colabora diretamente co "Projecto LIFE Fura-Bardos", un projeto para conservar esta subespecie endémica da Madeira e também a floresta da laurisilva, como estagiário no ámbito do programa de becas Faro. Censos, monitorizaçao e procura de ninhos som algumas das actividades a desenvolver.
Email: danielgarcia.spea@gmail.com





11 de março de 2016

AVES MARINHAS: AMEAÇAS E CONSERVAÇÃO EM ILHAS - MADEIRA


As aves marinhas caracterizam-se por terem uma grade longevidade, são predadores de topo e necessitam de águas produtivas para garantir a sua subsistência e reprodução. Este grupo depende diretamente do estado dos ecossistemas marinhos e costeiros. Devido à crescente pressão do homem sobre os recursos marinhos, á pesca comercial, à poluição, à predação por espécies invasoras e ao esquecimento global, as aves marinhas são consideradas o grupo mais ameaçado de todas as aves a nível mundial.
Juvenil de Patagarro.
O Arquipélago da Madeira reveste-se de particular importância para as aves marinhas. Espécies como o garajau ou a gaivota distribuem-se por todas as ilhas do Arquipélago em colónias de pequena dimensão. Na ilha da Madeira nidifica a única colónia mundial de freira-da-madeira, espécie classificada como "Em Perigo" e já considerada extinta no passado, até ser redescoberta em finais da década de 1960. A maior colónia de patagarro de Portugal e da Macaronésia localiza-se também nesta ilha, estando estimada em algumas centenas de casais.

Na ilha do Porto Santo e ilhéus adjacentes existem pequenas populações de cagarra, roque-de-castro, alma-negra e pintainho.

Ilhéu de Bugio
Os Arquipélagos das Desertas e Selvagens, ilhas desabitadas, classificadas como Reservas Naturais pelos seus valores de fauna e flora, reúnem as maiores colónias de aves marinhas. Nas Desertas nidifica a endémica freira-do-bugio, que estudos moleculares e morfológicos recentes indicaram ser uma espécie distinta da que ocorre em Cabo Verde, aumentando assim, devido à reduzida população, o seu grau de ameaça. Ainda nidifica a maior população de alma-negra de todo o Atlântico, e importantes populações europeias de cagarra, pintainho e roque-de-castro.


AMEAÇAS HISTÓRICAS

Colonia de Cagarras perto da beira da ilha da Madeira.  
A chegada do homem ao arquipélago da Madeira levaram ao colapso das populações das aves marinhas desta ilha. A destruição do habitat, através de fogos de modo a conquistar áreas para permitir a habitação e a agricultura foram o início de um massacre sem precedentes da avifauna terrestre e marinha.
A conquista destes novos locais também trouxe consigo animais estranhos àqueles ambientes. Foram introduzidos intencionalmente herbívoros como cabras, coelhos, ovelhas e vacas; e outros animais domésticos como porcos, gatos, cães e furões. Alem, outras foram trazidos acidentalmente, como os ratos e as lagartixas. Esta nova comunidade de mamíferos introduzidos teve um impacto enorme nas populações de aves, consumindo ovos, juvenis e adultos, destruindo ninhos e causando a erosão dos solos onde as aves instalavam os ninhos, contribuindo para a extinção de várias aves marinhas.
A perseguição direta para consumo de carne e para obtenção de óleo e de penas terão também dado um grande contributo para o desaparecimento de colónias inteiras de aves marinhas. A caça concentrou-se sobretudo nas cagarras, as presas mais rentáveis existentes em ilhas e ilhéus mais afastados. Estas foram vítimas de capturas legais até ao último quartel do século XX, e ainda há caça ilegal desta espécie.

Porto Santo de noite.
Mais atualmente a poluição luminosa também é uma causa de mortalidade para as aves que nidificam em ilhas, sobretudo os juvenis, devido ao fato de as aves se desorientarem e virem colidir com estruturas ou poisar em zonas mais fortemente iluminadas.
Por último, a perturbação dos locais de reprodução como dunas, salinas os pequenos ilhéus pode ter elevados impactos levando ao abandono dos mesmos pelos indivíduos reprodutores.





As aves marinhas passam a maior parte da sua vida no mar pelo que é fundamental conhecer o impacto das principais ameaças para as aves. A captura acessória em artes de pesca, a interação com estruturas de produção de energia em meio marinho e o impacto do lixo, sobretudo plásticos, são algumas das áreas prioritárias nas que tem se de ser trabalhado para tentar minimizar seus impactos.






CONSERVAÇÃO DS COLÓNIAS DE AVES MARINHAS

As Áreas IBA são umas áreas sensíveis para a avifauna designadas pela BirdLife International, que a sua vez, foram uma importante referencia para designar as Zonas de Proteção Especial. O arquipélago da Madeira conta com dois IBA marinhas.

IBAs marinhos em Portugal.
Os critérios utilizados para a identificação de IBAs faz referência a valores para proteger e melhorar o estatuto de conservação das aves. Os tipos de IBA Marinha classificam-se:
 a) Extensões costeiras de colónias de reprodução
b) Áreas de concentração costeira fora do período reprodutor
 c) Áreas de concentração pelágicas
d) Corredores migratórios

Freira de Madeira.
É de destacar a criação de reservas naturais das Ilhas Salvagens (1971), das Ilhas Desertas (1990) e das Berlengas (1981) foram decisivos para a proteção das principais colonias de aves marinhas em Portugal, assim como a implementação de legislação.

O trabalho realizado por distintas instituições como Serviço do Parque Natural de Madeira o SPEA ter sido decisivo, desenvolvendo projetos e ações de conservação. São de destacar:
1.        Os trabalhos com a freira-da-madeira, evitando uma quase segura extinção desta ave marinha endémica, num período em que a população desta espécie estava estimada em pouco mais de 20 casais.
2.       A erradicação dos ratos domésticos e dos coelhos
3.       A erradicação de ratos, coelhos e cabras na ilha de Bugio e seu controlo na Deserta grande.
4.       Erradicação e o controle de mamíferos e de plantas introduzidas nos pequenos ilhéus do Porto Santo.
5.       Campanha Salve um ave marinha
6.       Censos de mar
7.       Monotorização das populações de aves marinhas  

Assegurar a conservação de aves marinhas de uma forma eficaz requer maiores esforços, como o cumprimento da legislação, a criação de regulamentação e normas. Ao longo das últimas décadas, têm sido criados vários acordos internacionais relevantes para a conservação da biodiversidade marinha. O desafio agora é aproveitar este compromisso e garantir que ações concretas de conservação sejam tomadas a nível local, regional e nacional, através de um conhecimento mais aprofundado da ecologia destas espécies, bem como da sua relação com as atividades humanas.

4 de fevereiro de 2016

Importância da agricultura para aves

Monocultivo de bananeras em Canárias.
Os sistemas agrícolas tradicionais tem um alto valor biológico em muitas regiões do mundo e como resultado de miles de anos de expansão agrícola, a preservação dum grande número de espécies depende hoje de terras dedicadas na Produção de alimentos. Porém, durante as últimas décadas, os câmbios socioeconómicos e o desenvolvimento tecnológico da agricultura ter feito uma forte pressão sobre estos sistemas, genreando uma grave ameaça para as espécies que os ocupam devido a um processo a grande escala de intensificação e abandono.

De acordo com dados do Esquema Pan-Europeu de Monitorização de Aves Comuns, as aves de zonas agrícolas constituem na atualidade um dos grupos de aves mais ameaçados na Europa, atingindo o nível mais baixo desde 1980, com uma redução na ordem dos 48%.

Os ecossistemas agrícolas resultam da transformação de um sistema natural preexistente. Resultam principalmente da floresta primitiva, mas também da drenagem de zonas húmidas.
As comunidades de aves destes sistemas são constituídas por um pequeno número de espécie típicas das parcelas agrícolas, normalmente muito abundantes, e por uma percentagem variável de espécies com origem no sistema primitivo, normalmente menos abundante. Estas últimas acorrem em estruturas reminiscentes do habitat primitivo existindo nos mosaicos agrícolas como as sebe, linhas de árvore, bosquetes, charcas, canais e ribeiras.
Os sistemas agrícolas fornecem quatro fontes principais de alimento para as aves: invertebrados, partes vegetativas das plantas, sementes e frutos. A maioria das espécies de aves destes sistemas apresenta uma dieta mista ou variável.

Quase todas as espécies granívoras alimentam os seus juvenis com invertebrados durante a Primavera e Verão e as espécies insectívoras durante a maior parte do ano, alimentam-se de frutos durante o Outono. A disponibilidade de alimento é claramente sazonal e é fortemente influenciada pelos trabalhos agrícolas. Deste modo, também as diferenças regionais e a evolução das práticas e métodos de cultivo afeta a disponibilidade de alimento para as aves e as espécies dependentes de habitats agrícolas são obrigadas a deslocações permanentes em busca de alimento, muitas vezes efémeros.
Nidificar em habitats agrícolas também não é fácil. Os ninhos encontram-se no solo, ou muito perto do solo, e relativamente desprotegidos, sendo muito vulneráveis à predação por cães, gatos e animais selvagens. Os ninhos são também muito vulneráveis à destruição pelos trabalhos agrícolas e pelo pisoteio do gado.
Estes fatores tornam as aves dos meios agrícolas e pastoris particularmente vulneráveis e dependentes da atividades do agricultor.


Cultivos abandonados.

Problemas meio ambientais
Os ecossistemas agrícolas representam a maior parte da superfície de Europa, e são muito importantes para a conservação do património natural. Os problemas ambientais passam por situações muito graves de erosão salinização, contaminação de solos e aquíferos, e de perde acelerada de biodiversidade causada pelo favorecimento das monoculturas, em detrimento das rotações tradicionais, e o arranque das sebes e bosque, o crescente uso de sistemas mecanizados no campo, o uso de pesticidas e fertilizantes, o aumento de tamanho das parcelas e de monocultivos.
Com isto, populações de aves dependentes dos sistemas agrícolas enfrentam um decréscimo populacional médio de 30% desde de 1980.

Até o final do seculo passado a Política Agrícola Comum (PAC) favorecia exclusivamente a agricultura intensiva, com recurso a elevadas quantidades de água, de adubos inorgânicos e de fito fármacos. Dezenas de anos de agricultura intensiva originaram problemas na qualidade dos produtos alimentares e na qualidade do ambiente nos meios rurais, em muitas regiões da União Europeia.
Paisagem agrícola das Canarias
Agora, na segunda metade do seculo XX, quando a economias de Canarias cambiara a um modelo basado no turismo, estos valiosos sistemas, devido a sua falta de rentabilidade, estão sofrendo processos tanto de intensificação como de abandono, com a consequente perdida de qualidade como habitat e a descenso das populações de aves ligadas a estos ambientes.

Por isso, as políticas ambientais tem de orientar-se para contribuir ao mantimento dos agro-sistemas de maior valor e ao fomento de práticas agrarias compatíveis com la conservação da biodiversidade.
Se os impactos negativos de estos processos não são atendidos a tempo, os sistemas agrícolas serão reduzidos e sofrerão um maior deterioro, incrementado o número de espécie ameaçadas. Na atualidade, o 80% de espécies que dependem de estos ambientes na Europa apresentam um estado de conservação desfavorável.



A capacidade de frenar e reverter os efeitos na biodiversidade dos sistemas agrícolas dependerá das políticas da União Europeia, dos estados, as demandas dos mercados e do câmbio de mentalidade nas pessoas e suas ações. 

21 de janeiro de 2016

No começo o ano novo sempre temos na cabeça novas ideias e coisas, as quais anhelamos fazermos. Pensamos...este ano vai ser! pois, como não por exemplo...conhecer a nossa natureza, começar com uma vida muito mais saudável, e não estou a falar só de boa alimentaão e desporto...também cultivar a mente é muito importante para termos um corpo sano. Temos uma ideia para fazer tudo ao vez e sem quase perceber estaremos a recarregar energias...o que acham irmos ao montanha e descobrir a nossa floresta?? o irmos a praia e conhecer a nossas costas?? o não sei, irmos ao jardim e conhecermos a nossa vila?? Temos tanta maravilha aos nossos pés, não perdamos o nosso tempo e venha com a família SPEA a desfrutar da nossa natureza e imensa biodiversidade!



BIODIVERSIDADE DA MACARONESIA

Madeira e Canárias

A região da Macaronesia está formada por vários arquipélagos de origem vulcânico, os quais são Os Açores, A Madeira, As Canarias e Cabo Verde. Todos eles situados no Atlântico Norte nas proximidades dos continentes europeu e africano desde uns 100 até uns 600 Km de distância. Esta área geográfica é recente e ainda é ativa em alguns lugares da região (Hildner et al., 2011). As atividades sísmicas formaram espantosas paisagens e maciços montanhosos extremamente complexos e com imensa variedade de vegetação e fauna única no mundo. O lugar onde apareceram as ilhas ajuda ainda mais a criar pequenas áreas com climas diferentes influenciado por fatores climáticos típicos de esta região (água e temperatura).
Como outros arquipélagos volcânicos, presentam imensa variedade de ecossistemas desde ambientes desérticos os xerofíticos nas ilhas do sul, Cabo Verde e algumas das Canárias até florestas húmidas de Laurissilva na Madeira e nos Açores. A heterogeneidade na distribuição da vegetação nas diferentes ilhas da Macaronesia está mesmo influenciada pelas características de escala insular. Ainda assim, os arquipélagos têm diferencias entre eles por causa também da situação geográfica. Assim, o arquipélago dos Açores esta fortemente isolado com influência direta do oceano dando uma climatologia diferente da Madeira e das Canárias. 

A Madeira

O arquipélago da Madeira tem uma extensão de uns 800 Km2 e está formado por dois ilhas povoadas, que são a Madeira e Porto Santo além dos ilhéus que ainda formam parte do arquipélago como reservas naturais da região por a sua imensa biodiversidade: Ilhas Desertas e Ilhas Salvagens. A ilha da Madeira é a ilha principal com uma geografia muito abrupta e incrível para os nossos olhos, assim forma uma variedade de paisagens espetaculares e únicos no mundo. A irregularidade do releve da Madeira faz aparecer diferentes climas e com isso quantidades imensas de ecossistemas refugiando grande numero de plantas e animais no seu interior.
Pela situação da ilha da Madeira apresenta características mesmo subtropicais com temperaturas médias anuais acima dos 20 graus celsius. As precipitações anuais variam de 500 mm até os 2000 mm nas encostas nortes mais frias da ilha. O releve da ilha é mais o menos elevado sendo os picos mais elevados o Pico Ruivo (1862), o Pico das Torres (1853) e o Pico Areeiro (1818). Nas partes baixas da ilha não existem praias de areia como noutras ilhas de origem vulcânico, talvez devido a pouca plataforma continental, ainda assim apresenta o extremo este da ilha uma área muito diferente ao resto, com um clima e vegetação mais seco e único: a Ponta do São Lourenço.



A maior parte da ilha esta formada por uma floresta húmida típica das ilhas oceânicas, de origem vulcânico com presença constante de nevoeiro permitindo intensa chuva horizontal e criação desta floresta única chamada Laurissilva. Na origem, devia ocupar quase a ilha toda de norte ao sul, mas seria desflorestada com a chegada dos primeiros colonos. A Laurissilva é um tesouro de inestimável valor com uma distribuição aproximada de 15000 Ha na ilha formando parte do Parque Natural da Madeira, quase um 20% da extensão. O nome da Laurissilva resulta da conjunção de dois termos do Latim laurus e silva que significam, respectivamente, loureiro e floresta.
A origem da Laurissilva remonta aos períodos do Miocénico e Pliocénico da Época Terciária, há 20 milhões de anos ocupando uma área ainda maior do Mediterrâneo, no Sul da Europa e Norte de Africa. Quando começara o desaparecimento do antigo mar de Tétis e começou a formação do Mediterrâneo, o clima da Europa e Norte de África também começou mudar. Apareceram as glaciações no começo do Quaternário que iniciaram à regressão da floresta até à sua quase extinção na Europa, mantendo-se algumas relíquias desta vegetação noutros locais do continente. Em Africa, ocorreria o mesmo pelo avanço da aridez pela costa norte do continente. Devido à formação do Mediterrâneo as condições climáticas mudaram mas mantiveram-se mais o menos constante na área do Atlântico, esto é o que permitiu manter a floresta de Laurissilva mesmo prosperar na Macaronésia. 
            A Laurissilva esta composta por árvores da família das lauráceas e endémico da Macaronésia tendo a maior expressão nas terras altas da ilha da Madeira e que é Património da Humanidade pela UNESCO desde 1999. Além da variedade de especies de plantas presentes na Laurissilva, este tipo de floresta é única devido a enorme biodiversidade faunistica que alberga. O grupo dos vertebrados não muito abundante na ilha devido a sua pouca capacidade de dispersão e dificil chegada aos arquipélagos. Ainda assim, a Madeira alberga especies importantes de morcegos, lagartixas e aves terrestres e marinhas únicas no mundo. Assim, podemos destacar um elevado número de especies únicas de animais, entre as quais destacam as aves Pombo trocaz e o Bis-bis, entre outras.


Os dados mais recentes apontam 7541 espécies identificadas apenas no domínio terrestre, das quais 1419 são endémicas, grande parte artrópodes. A biodiversidade da Madeira é um grande contributo para o património natural mundial, por tal deve ser enaltecido como meio para uma maior participação da sua conservação. Outro grupo faunistico importante do arquipélago são os invertebrados: artrópodos e moluscos. Na ecologia insular os grupos com maior dispersão e maior tasa de evoluição são os artropodos em geral e os insetos mais particularmente. Estos grupos são muito dificies de estudar e ainda precisamos mais informação acerca, mas é já sabido que estas especies de animais são importantes nas ilhas e nos territorios vulcanicos.

As Canárias
As Ilhas Canárias  são um arquipélago espanhol no Oceano Atlântico, ao largo de Marrocos. As ilhas Canárias são o território mais próximo do arquipélago português da Madeira, com esta compartilhando a região daMacaronésia, junto ainda dos Açores e de Cabo Verde. As suas capitais são Santa Cruz de Tenerife e Las Palmas de Gran Canaria. O arquipélago das Canárias é constituído por sete ilhas principais, divididas em duas províncias, e várias pequenos ilhéus: Lanzarote, Fuerteventura, Gran Canaria, Tenerife, La Gomera, La Palma, El Hierro.  
A biodiversidade terrestre das Canárias é de extraordinario interes a nível nacional como internacional, sendo os mais afines da Macaronésia e um Hotspot importante para investigadores de todo o mundo.
O arquipélago canário como o resto da Macaronésia, é também uns dos territorios com maior biodiversidade do mundo, tendo uma especie endêmica por cada 2 kilómetros quadrados de superfície. Tudo arquipélago há mais de 17000 especies terrestres e marinhas que situam às ilhas dentro das 15 regiões bioclimáticas com mais biodiversidade da Terra. É assim que as Canárias são reconhecidas internacionalmente como um Hotspot de Biodiversidade Mundial.


As Ilhas Canárias pela sua situação geográfica e sua natureza vulcânica tem uma grande variedade de hábitats e climas, o que da origem a uma riqueza natural que ainda nossos tempos são conservados. A altitude das ilhas provoca uma especialização de hábitats ecológicos e diversificação de espécies, tanto de plantas como animais devido a ser ilhas favorecem os processos evolutivos independentes das espécies. O arquipélago canário alberga um enorme numero de espécies endêmicas e incluso gêneros só presentes aí.
A fauna terrestre presenta muito mais endemismos do que continente, com afinidades ao norte de África e ao Mediterrâneo. Embora, os anfíbios e a maioria dos mamíferos são introduzidos, há muitas espécies de vertebrados naturais. Entre estas espécies de animais destacam algumas espécies de morcegos e o grupo dos lagartos, sendo o gênero endêmico do arquipélago e muito diversificado nas ilhas.