18 de julho de 2016



Monitorização do Fura-bardos.

A Monitorização do Fura-bardos consiste na recolha de toda a informação possível da espécie, seguida de uma análise dos dados com o objetivo de conhecer a distribuição e abundância da população na ilha da Madeira. A observação contínua dum organismo no seu habitat constitui um método essencial para ampliar o conhecimento de uma espécie. A vigilância e a recompilação de dados sobre o Fura-bardos, vão permitir obter informação de aspectos comportamentais. 
O estudo de monitorização da espécie é dividido em quatro períodos que coincidem com as fases de reprodução (acasalamento, incubação, alimentação das crias e dispersão dos juvenis; Newton 1986). Actualmente, encontramo-nos nas fases de alimentação das crias e dispersão dos juvenis. Para o seguimento destes períodos require-se um trabalho de campo muito intenso; tentando encontrar pontos estratégicos de vigilância, os mais próximos possíveis ao ninho, para observar as interacções de comportamento entre os indivíduos, sempre minimizando o efeito do observador para não perturbar a sua conduta natural.

Nestas duas fases, o comportamento que quer-se observar é ver como o macho depena as presas nas proximidades do ninho (na área de alimentação), para lhe dar a presa a fêmea, quem é a encarregada de leva-a ao ninho e alimentar as crias. Pretende-se também ouvir as vocalizações dos juvenis, os quais já realizam voos curtos nas proximidades do ninho. 

6 horas frente o ninho.

Este ano 2016, o dia 16 de julho, foi a primeira vez que se fiz um seguimento durante 6 horas num território. Quando se trabalha com animais silvestres é impossível garantir que vais conseguir vê-los. Mas hoje vou-lhes contar como é essa experiencia, ou pelo menos de como tem sido para mim. Pois recentemente tenho tido a oportunidade de observar uma especie de ave com um comportamento muito esquivo.

“Quase eram às 9:00h de amanha quando mostraram-me o território situado em pendente e direção nordeste. A mancha está constituída por espécies de vegetação exótica que foi plantada. No subsolo tinha grande quantidade de matéria orgânica seca como folhas e ramas. De primeiro observei o ninho com os binóculos, mas não detectei movimento nenhum, assim que dirigi-me até a área de alimentação, donde encontrei desplomadouros de várias espécies; melro e pintassilgo de certeza. Enquanto estava a recolher as penas, levantei a cabeça e apareceu um individuo adulto de fura-bardos (provavelmente o macho) aproximando-se. Foi tudo tao rápido que fique paralisada, até nervosa, o coração bateu forte uns segundos. Só pensei disfruta do momento, porque entre que procuras os binóculos e tentas enfocar, já tens perdido semelhante espetáculo. Chegou perto, mas só detectar minha presença, deu meia volta e fosse embora em direção ao ninho. E eu fiquei em silêncio, com as penas ainda na mão, vendo como desaparecia entre os troncos. Não acreditava! Que casualidade, só chegar e vê-lo! Pensei que se tentava esconder-me por ali, se calhar voltava e via como despenava a presa. Isso já seria espetacular. Esperei pouco mais de 2 horas, mas nada. 
Então decidi visitar de novo o ninho. Coloquei-me numa parte alta e camuflada desde onde conseguia ver perfeitamente o ninho e também a área de alimentação. De facto intuía-se um corredor ótimo entre as árvores que conectava os dois pontos.
Quando olhei para cima, apareceram de uma em uma três cabecinhas com penugem branca, mas já tinham penas formadas. As três estavam quase imóveis, observavam a sua volta como se estivessem a espera e alguma delas piava. Passou uma hora aproximadamente até que ouvi vocalizar um individuo adulto e instantes depois chegou a fêmea pela parte superior do ninho, mas desapareceu rapidamente porque o macho estava a vocalizar desde a área de alimentação. Até esse momento nunca tinha ouvido, nem sabia como era o som de um fura-bardos, mas era tão claro que não tinha confusão nenhuma.
Voltei a ouvir vocalizações de longe desde a área de alimentação e cada vez mais perto. Seguidamente, a fêmea passou em frente de mim com um voo elegantíssimo e silencioso usando o corredor. Transportava uma presa que deixou no ninho. Só foi visível uma das crias enquanto estava a comer. Após a ingesta as crias estavam consideravelmente mais ativas. Mexiam as asas e até conseguiam voar distâncias cortas até ramas próximas ao ninho.”

“Enquanto estava sozinha na floresta tive muito tempo para pensar. Alguém me disse uma vez que se ficas quieto na floresta o tempo suficiente, vais ver indícios da força da vida, e se não acreditas observa com atenção, e se ainda não, com mais atenção usando os sentidos como instrumentos essenciais. As vezes é preciso fazer mais estreito o foco por onde normalmente olhamos, assim as coisas convertem-se mais nítidas, como através de um pequeno buraco. Essa é a paradoxa da existência contemplativa, fazemos menos e mais lento para ver mais. Só quando vemos outras espécies no planeta, é quando nos conhecemos melhor a nós mesmos. Parece que não tomamo-nos o tempo para parar e observar este mundo que habita a nosso redor, arriba y abaixo, com suas propiás historias e dramas. Não podemos perceber uma beleza tão gigante se não somos capazes de por atenção.”



-------------------------------------------------English Version---------------------------------------------------

Sparrowhawk Monitoring.

The Sparrowhawk monitoring is to gather all possible information of the specie, followed by a data analysis in order to understand the distribution and abundance of the population on the island of Madeira. The continued observation of an organism in its habitat is an essential method to increase knowledge of the specie. Surveillance and data recompilation of Sparrowhawk, will allow obtaining information from behavioral aspects. The monitoring study is divided into four periods that coincide with the reproduction phases (mating, incubation, feeding the chicks and dispersion of juveniles; Newton 1986). Currently, we are in feeding and dispersal of juveniles. To follow up these periods require is a very intense field work; trying to find strategic points of surveillance, the closest possible to the nest to observe the behavior of interactions between individuals, but always minimizing the effect of the observer and trying not to disturb their natural behavior.




 In tthese two phases, the behavior we want to watch is to see how the male pluck the prey near the nest (in the feeding area ), to give the prey to the female, who is in charge to takes it to the nest and feed the young. It also intends to hear the juveniles vocalizations, which already perform short flights near the nest.


6 hours in front the nest.

This year 2016, July 16th, was the first time we did a follow-up for 6 hours in a territory. When you work with wild animals it is impossible to guarantee you'll see them. But today I will tell how this experience is, or at least as it has been for me, because I have recently had the opportunity to observe a bird with a very elusive behavior.

"They were almost at 9 : 00 a.m. when they showed me the territory situated in a pending faced to the northeast. The vegetation stain is made up of exotic species that was planted. In the basement there were big loads of organic dry matter such as leaves and branches. First noticed the nest with binoculars, but didn't detect any movement, so I headed to the feeding area, where I found desplomadouros of various species; blackbird and goldfinch for sure. While I was collecting the feathers, I lifted my head and appeared a sparrowhawk adult (probably male) approaching. It all happened so fast that I became paralyzed, even nervous, my heart pounded hard a few seconds. I just thought “enjoy the moment, because while looking for the binoculars and try to focus, you will already lose such a spectacle”. It came close, but only detects my presence, turned and flies away toward the nest. I stayed there in silent, with the feathers still in my hand, watching as it disappeared between the logs. I didn’t believe! What a coincidence, just arrived and see it! I thought that if I tried to hide over there, maybe it returned and I could see how plucked the prey. That would be amazing. I waited little more than 2 hours, but nothing. 
So I decided to visit again the nest. I choose an elevated, cloaked zone, from where I could see perfectly the nest and also the feeding area.
In fact, a great corridor could be intuited between the trees that connected the two points. When I looked up, appeared one by one three little heads with white fuzz, but had already formed feathers. The three were almost motionless, watching around as if they were waiting and some of them chirped. It spends an hour or so until I heard vocalizing an adult individual and moments later came the female at the top of the nest, but disappeared quickly because the male was vocalizing from the feeding area. Until then I had never heard or knew what it was like the sound of a sparrowhawk, but it was so clear that had no confusion at all. 
Then, I started to hear vocalizations away from the feeding area and closer every time. Then, the female passed in front of me with a very elegant and quiet flight using the corridor. He carried a prey and left it in the nest. Only a chick was visible while eating. After ingestion they were considerably more active. Shuffled the wings and could fly up short distances until branches near the nest."


“I had much time to think while I was alone in the forest. Someone once told me that if you stay quiet in the woods long enough, you will see evidence of the life force, and if you don’t believe observes carefully, and if still not, more carefully, using the senses as essential tools. Sometimes you have to make narrower the focus where normally look, so things are converted sharper, as through a small hole. This is the paradox of the contemplative life, we do less and slower to see more. Only when we observe other species on the planet, it is when we know us better ourselves. It seems that we can’t stop and watch this world that lives around us, above and below, with their own stories and dramas. We can’t realize of this giant beauty if we are not able to pay attention. "

Aves de rapina da Madeira (I)

Coruja-das-torres

Na Ilha de Madeira existem 4 aves de rapina: a manta (Buteo buteo harterti), o fura-bardos (Accipiter nisus granti), o francelho (Falco tinnunculus canariensis) e a coruja-das-torres (Tyto alba schmitzi). De todas elas, a única ave de rapina noturna do Arquipélago da Madeira é a coruja-das-torres. 

Pertence à ordem dos Strigiformes, junto aos mochos, e à familia Tytonidae. Tem um comprimento de cerca de 35 cm e uma envergadura entre os 85 - 93 cm. As fêmeas, como geralmente acontece nas aves de rapina, são maiores que os machos. Pode ser facilmente identificada pela sua silhueta em voo e pelo seu chamamento agudo e estridente.


As corujas-das-torres habitam, preferencialmente, zonas de campos agrícolas, com sebes, taludes e matos. Frequentemente nidificam em construções abandonadas, em chaminés, sótãos, celeiros, armazéns ou torres de igrejas, mesmo em cidades de grande dimensão. Noutras situações, frequentam montados e soutos, recorrendo às cavidades das árvores ou rochas para nidificar. Está presente en Europa, América, África, Ásia e Ocêania e estima-se um efectivo populacional de 500.000 indivíduos adultos (Birdlife, 2016). Na Ilha da Madeira a população é sedentária e nidificante, também no Porto Santo. Actualmente há registos frequentes da sua presença nas Desertas, sem confirmação de nidificação. Distribui-se ao longo de toda a Ilha da Madeira, com menor incidência em cotas mais altas como o Paúl da Serra e o Maciço Montanhoso Oriental. Estima-se uma população entre 2500 - 10000 indivíduos com uma tendência estável (Atlas das Aves do Arquipélago de Madeira).

As principais ameaças são à utilização de pesticidas, a redução de roedores nas zonas rurais e o desaparecimento de cavidades naturais e artificiais para nidificação. Também o desenvolvimento das redes viárias e o aumento do tráfego resulta em atropelamentos e na mortalidade a eles associada (Morais, J.C., 2016).

A Coruja não constrói ninho. Os ovos são depositados pela ave nos retiros sombrios onde costuma passar o dia, sobre um tapete de regurgitações. As fêmeas incubam os ovos e os machos trazem alimento. A postura pode variar entre os 2 e os 14 ovos, mais frequentemente situa-se entre 4 e 7.

Ao ser uma ave de rapina nocturna, a coruja desenvolveu uma serie de adaptações relacionadas co ambiente no que se encontra: a noite escura com multitude de pequenos sons. As penas, os olhos e o ouvido são a clave para entender como as corujas podem caçar (Hausmann, L. et al., 2009). 

  • O sistema auditivo das corujas conta com um disco facial cujo bordo é formado por penas rígidas que ajudam a direccionar e até a amplificar os sons para os ouvidos. Assim, a sua face em forma de coração funciona como uma parabólica ajudando a amplificar o som recebido. Outro aspecto importante é a assimetria dos orifícios auditivos e das penas envolventes correspondentes. Um dos ouvidos está mais elevado do que o outro, e este aspecto é determinante na capacidade da ave de isolar e coordinar os sons que recebe. Cada ouvido detecta melhor algumas frequências de som do que o outro e são analisados independentemente pelo cérebro e, dessa maneira, a ave consegue saber a posição correta de quem os emitiu. É devido a estes pormenores que as rapinas nocturnas necessitam de constantes movimentos de cabeça para localiçar à presa. 

  • A estrutura do olho das corujas também é singular. Os bastonetes, células especializadas em captar a luz dos objetos, estão densamente concentrados na região central da retina - a fóvea, onde é a maior a incidência de raios luminosos. Ademais, têm grande capacidade de dilatar a pupila, captando a maior quantidade de luz possível. Nos humanos as fóveas presentam somente células captoras de cor, ou seja, cones. Assim, as corujas não têm uma visão desenvolvida das cores mas sim na percepção da luz. Iso não é nenhuma desvantagem, já que ela está especialmente adaptado à escuridão.
  • A última adaptação das corujas à noite são as penas. O investigador da Universidade de Cambridge Nigel Peake afirma: " Muito do ruído causado por uma asa - seja de um pássaro, avião ou ventoinha - é originado no bordo de pena onde o escoamento de ar sobre a superfície da asa é turbulento. A estrutura da asa de uma coruja reduz o ruído ao suavizar a passagem do ar sobre a asa - dispersando o ruído de modo a que as presas não as oiçam a aproximar-se". As bárbulas das penas de voo (trailing edge fringe) e as bordas laterais (leading edge comb) tenhem pequenos filamentos que têm esta misão.

Bibliografía:
-Morais, J. C. (2016). Vida e Hábitos da Coruja-das-torres. 
-BirdLife International (2016) Species factsheet: Tyto alba. Downloaded from http://www.birdlife.org on 18/07/2016.
-Atlas das Aves do Arquipélago de Madeira. Consultado em http://www.atlasdasaves.netmadeira.com/ no 18/07/2016.
-Hausmann, L. et al. (2009). Improvements of Sound Localization Abilities by the Facial Ruff of the Barn Owl (Tyto alba) as Demonstrated by Virtual Ruff Removal. PLoS ONE 4, 11: e7721.
-Muñoz-Pedreros, A. (2004). Aves rapaces y control biológico de plagas. CEA Ediciones, Valdivia.


---------------------------------English version---------------------------------

Barn Owl


There are four birds of prey in Madeira: common buzzard (Buteo buteo harterti), macaroneasian sparrowhawk (Accipiter nisus granti), kestrel (Falco tinnunculus canariensis) and barn owl (Tyto alba schmitzi). Among them all, the only nocturnal bird of prey is the barn owl.

Birds from the order Strigiformes and family Tytonidae.  Barn Owl's size is between 33 and 39 cm in length with wingspans ranging from 80 to 95 cm. Females, as usually happens in birds of prey, are larger than males. It can be easily identified by its silhouette in flight and his strident call.

Barn Owls inhabit open areas, including agricultural fields, grasslands and marshes. They nest in hollow trees and in buildings where there is not much human activity. Barn Owls also will use artificial nest boxes. Nests typically are located on the floor of the natural tree cavity or building. It is widespread through Europe, America, Africa, Asia and Oceania and an effective population of 500,000 adults is estimated (Birdlife, 2016). In Madeira Island there is a breeding population, also in Porto Santo. It is distributed throughout the whole island, with a lower incidence in higher points as Paul da Serra and Maciço Montanhoso Oriental. A stable trend population of  2500-10000 individuals has been estatimated (Atlas of the Madeira Archipelago Birds). The main threats for the species are pesticides, reduction of rodents in rural areas and disappearance of natural and artificial cavities for nesting. Also the development of road networks and increased traffic results in accidents and mortality associated with them (Morais, J.C., 2016).


The barn owl does not build nest. The eggs are laid by the bird in the dark retreats where usually spend the day. Females incubate the eggs and the males bring food. The number of eggs can vary between 2 and 14 eggs, most commonly between 4 and 7.

As a nocturnal bird of prey, the barn owl has developed some adaptations in order to hunt during the night, when darkness and different sounds are the rule. Special feathers, a unique auditory system and eyes adapted to the darkness ears are the reason to understand how barn owls can hunt at night (Hausmann, L. et al., 2009).

  • The auditory system of owls has a facial disc surrounded by rigid feathers that help to direct and to amplify the sounds to the ears. Thus, its heart-like face works as a parabolic helping to amplify the incoming sound. Another important aspect is the asymmetry of auditory holes and the corresponding surrounding feathers. One of the ears is higher than the other, and this aspect is crucial in the bird's ability to isolate and coordinate whichever sounds it receives. 
  • The structure of the eye is also special. Rod cells, which are specialized cells to capture light, are heavily concentrated in the central region of the retina - the fovea, where the largest incidence of light rays occurs. Moreover, they have great capacity to dilate the pupil, capturing the greatest amount of light. Thus, the owls do not have a developed color vision but a precise light vision. 

  • The researcher Nigel Peake (University of Cambridge) said:  “Much of the noise caused by a wing – whether it’s attached to a bird, a plane or a fan – originates at the trailing edge where the air passing over the wing surface is turbulent. The structure of an owl’s wing serves to reduce noise by smoothing the passage of air as it passes over the wing – scattering the sound so their prey can’t hear them coming”. Trailing edge fringe, velvety down and leading edge comb have this mission.





Bibliography:
-Morais, J. C. (2016). Vida e Hábitos da Coruja-das-torres. 
-BirdLife International (2016) Species factsheet: Tyto alba. Downloaded from http://www.birdlife.org on 18/07/2016.
-Atlas das Aves do Arquipélago de Madeira. Consultado em http://www.atlasdasaves.netmadeira.com/ no 18/07/2016.
-Hausmann, L. et al. (2009). Improvements of Sound Localization Abilities by the Facial Ruff of the Barn Owl (Tyto alba) as Demonstrated by Virtual Ruff Removal. PLoS ONE 4, 11: e7721.
-Muñoz-Pedreros, A. (2004). Aves rapaces y control biológico de plagas. CEA Ediciones, Valdivia.

15 de julho de 2016

Introdução das aves marinhas nidificantes

Uma das minhas funções durante o meu estágio na  SPEA e fazer  censos de mar. No decorrer dos censos podemos encontrar vários espécies de aves marinhas Nesta e na seguente entrada, tentarei dar a conhecer cuales som as aves que acostumamos a encontrar, e descrever a sua classificação, características básicas, temporada do anho presente, etc

O primeiro que faremos seriai uma classificação das aves marinhas seguindo as ordens.
        
  • Procillarriformes
  • Charadriiformes

Procillarriformes
Pardelas, painhos e similares,  “Procella” significa tormenta ou tempestade em latim. Uma das características que as diferença são asas longas e estreitas, o que permite sulcar os ventos, pairando sobre o mar longas distancias.



Outras características de estas aves é  que são aves estritamente marinhas que vêm a terra apenas para nidificar. Reproduzem-se em locais de acessibilidade reduzida, muitas delas em pequenos ilhéus ou em escarpas inacessíveis de ilhas maiores. A maioria destas aves visita os locais de nidificação apenas durante a noite. Produzem apenas um ovo por época,
não ocorrendo reposição caso este não seja viável ou em caso de morte da cria. Durante a reprodução podem ausentar-se dos ninhos por longos períodos de tempo, até uma ou duas semanas, o que lhes permite aceder a áreas muito distantes das suas colónias, enquanto procuram alimento. No mar, são aves com uma grande capacidade de voo, algumas das quais são também boas mergulhadoras.

Grupo de aves essencialmente pelágicas, aqui na Madeira podemos encontrar:

  • Procillarridae (Cagarras, pardelas, freiras…)
    • Cagarra (Calonectris borealis)
    • Patagarro (Puffinus puffinus)
    • Pintainho(Puffinus lherminieri)
    • Freira-do-bugio (Pterodroma deserta)
    • Freira-da-madeira (Pterodroma madeira)
    • Alma-negra (Bulweria bulwerii )
  • Hydrobatidae (Painhos)
    • Calcamar (Pelagodroma marina) está exclusivamente presente nas Ilhas Selvagens)
    • Roque-de-castro(Hydrobates castro)
  
Todas estas especies tem algumas características morfológicas similares, como som o bico direito com a ponta em forma de gancho (adaptado a sua alimentação) e as prominentes narinas tubulares.



Charadriiformes

Gaivotas e garajaus. É um grupo bastante heterogêneo, quer morfologicamente quer comportamentalmente. A maioria
das espécies tem um voo ágil e alimenta-se à superfície da água. Geralmente os ninhos são feitos ao nível do solo. Por regra, são espécies que não fazem grandes viagens durante a época de reprodução, afastando-se raramente para lá de algumas dezenas de quilômetros do local de nidificação, onde regressam diariamente. As posturas tipicamente contam com dois a três ovos e tanto as gaivotas como os garajaus podem fazer posturas de substituição.

Grupo de aves Charadriiformes que na Madeira podemos encontrar:
  • Laridae (Gaivotas)
    • Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis)
  • Sternidae (Garajaus)(actualmente tamben incluída na Laridae)
    • Garajau-rosado (Sterna dougallii)
    • Garajau-comum (Sterna hirundo)


Das 11 espécies de aves marinhas nidificantes no archipelago da Madeira, distribuídas pelas 2 ordens
acima mencionadas, há duas que claramente se destacam, por terem uma distribuição muito ampla, no só aqui sino por tudo o Continente e em quase todas as ilhas e ilhéus mais importantes, com uma população global da ordem das dezenas de milhares de casais: a cagarra Calonectris borealis e a gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis. Estas são as nossas duas aves marinhas reprodutoras por excelência.

Esta classificação, quando estou realizando meus tarefas envolvidas nos censos de mar, som importantes, sobretudo, porque sabemos donde vamos a encontrar cada um de los grupos. los Charadriiformes seriam observados principalmente perto da costa, por lo que os dias que os censos de Mar realizados pela costa sur de la ilha da Madeira, são as  aves mas observadas. Pela outra parte, com os viagem as Ilhas Desertas predominam os Procillarriformes, sobretudo Cagarras e Almas Negras.



Bibliografia

Svensson, L., Mullarney, K., Zetterström, D., Grant, P. J. & Andrade, J. Guia de aves: guia de campo das aves de Portugal e da Europa. (Assírio & Alvim, 2012).

Meirinho A, Barros N , Oliveira N , Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. http://www.atlasavesmarinhas.pt




8 de julho de 2016

Desplumadouros recolhidos até junho 2016

O objetivo geral do Projeto LIFE Fura-bardos é assegurar a conservação do fura-bardos (Accipiter nisus granti) e da floresta Laurissilva, definindo medidas mais adequadas para a restauração ecológica e garantir a sustentabilidade a longo prazo da espécie e do seu habitat. Esta subespécie só pode encontrarse, além da Madeira, em 5 ilhas do arquipélago de Canárias. A redução de plantas invasoras, como o Agapanto (Agapanthus sp.), a recuperação de zonas de Laurisilva ardidas ou a sensibilização social são algumas das ações levadas a cabo neste projeto. Outra tarefa essencial é conhecer a distribuição e abundância da população de Fura-bardos na ilha da Madeira para poder aumentar  o conhecemento acerca da ecologia e tendências populacionais da espécie.

A procura de ninhos e indícios, como excrementos ou desplumadouros, são importantissimos para esta última tarefa. Depois da fase de incubação, entre os meses de abril e maio, as crias são alimentadas no ninho até finais de junho. Durante esta fase de alimentação no ninho o macho dedica-se a caçar para a fêmea. As presas são depenadas nas proximidades do ninho e as probabilidades de encontrar desplumadouros perto do ninho aumenta consideravelmente. En julho os juvenis já começam a vocalizar e realizar pequenos voos nas proximidades do ninho. As vocalizações dos juvenis podem ser ouvidas a mais de 400 m e ajudam à localização dos ninhos.



A organização dos desplumadouros encontrados é a minha responsabilidade e vou presentar um pequeno resumo dos dados obtidos até finais de junho.

Um total de 90 desplumadouros forom recolhidos: 2 rexistros no mes de fevreiro, 9 em abril, 12 em maio e 67 em junho. Estes dados coincidem com o explicado anteriormente, na fase de alimentação das crias o número de desplumadouros encontrados perto dos ninhos foi maior que nos meses de acasalamento (fevreiro-março) e incubação (abril-meados de maio).


Até o momento a presa mais comum foi o melro (Turdus merula). Os passeriformes, entre presas identificadas (melro, álveola cinzenta-Motacilla cinerea-, pintassilgo-Carduelis carduelis-) e não identificadas, representam o 59% do total de capturas. O pombo, quer o pombo-das-rochas quer o pombo-da-madeira, também tenhem sido muito importantes na dieta do fura-bardos cum 38%. Na altura de alimentação das crias, algumas vezes encontramos pousadeiros com varias presas num mesmo lugar. São os pontos onde o macho depena as presas para que a fêmea as recolha. Pode acontecer que as presas sejan varios individuos da mesma espécie ou espécies diferentes.


49 desplumadouros forom recolhidos en habitats exóticos, com espécies como eucalipto (Eucaliptus sp.) e acácias (Acacia sp.), 10 em pequenas manchas forestais isoladas de Laurissilva e 31 en zonas mistas, onde se podem encontrar espécies exóticas e lauráceas endémicas da macaronesia.





-------------------English version-------------------

The main purpose of LIFE Project Fura-bardos is to ensure the conservation of macaroneasian sparrowhawk (Accipiter nisus granti) and laurel forest, achieving long-term measures for ecological restauration and sustainability of the species and its habitat. This subspecies can only be found, in addition to Madeira, on 5 islands of the Canary archipelago. The reduction of invasive plants, such as African Lily (Agapanthus sp.), recovery of laurel forest burned areas or environmental social awareness are some of the actions carried out in this project. Another essential task is to understand distribution and abundance of  macaronesian in Madeira in order to increase the knowledge about the ecology and population trends of the species.

Nests and track signs, such as droppings or plucking sites, are extremely important for this last task. After incubation phase, between April and May, the chicks are fed in the nest till the end of June. During the feeding phase, the male hunts for the female. Preys are plucked near the nest along this phase, so the chances of finding plucking sites near the nest increase considerably. Juveniles can sing from july on, even can be heard more than 400 m away and help to find new nests.



I will present a short summary of the data obtained abour plucking sites by the end of June.

A total of 90 records have been collected: 2 in February, 9 in April, 12 in May and 67 in June. These data can be explain because during feeding the number of plucking sites found near the nests was higher than in the phase of mating (February-March) and incubation (April to mid-May).




So far the most common prey was the blackbird (Turdus merula). Passerines, among identified prey (blackbird, gray wagtail-Motacilla cinerea-, goldfinch-Carduelis carduelis-) and not identified, represent 59% of the total catch. Whether the trocaz pigeon (Columba trocaz) or rock pigeon are also very important in the diet. Sometimes is found a plucking site with several species or several preys plucked really close among then. These are the places where the male plucks preys for the female to feed chicks.

49 preys were collected in exotic habitats with species such as eucalyptus (Eucalyptus sp.) and acacia (Acacia sp.), 10 in small patches of Laurel forest and 31 in mixed areas, where you can find exotic species and endemic laurel forest.


6 de julho de 2016

Nova estagiaria na SPEA - Madeira

Olá! Chamo-me Gisela, sou de uma vila perto de Barcelona e tenho 27 anos. Licencei-me em Biologia em 2011 na Universidade Autónoma de Barcelona e realizei um mestrado em gestão e conservação da natureza em 2013.
Considero-me uma pessoa cometida com a preservação dos ecossistemas naturais e da conservação da biodiversidade, é por isso que ando sempre envolvida em diferentes projectos. Por exemplo, durante a licenciatura realizei o estagio no departamento de ecologia da universidade (CREAF, Centro de Pesquisa Ecológica e de Aplicações Florestais) e também colaborei com una entidade de restauração de habitats de espécies em perigo na Catalunha chamada "Paisatges Vius".

No início do ano 2014 viajei na selva peruana e participei no Centro de Recuperação da Fauna Amazónica (CREA) como voluntária durante 4 meses. Depois nesse mesmo ano recebi a bolsa Leonardo da Vinci no âmbito do programa Erasmus Plus e estive a estagiar no Jardim Botânico da Ajuda em parceria com o Instituto Superior de Agronomia de Lisboa.

Quando voltei a Catalunha trabalhei também de forma voluntária como assistente na Unidade de Investigação do centro de recuperação de primates Fundació MONA.

Agora vou a estar na SPEA- Madeira, no âmbito do programa ARGO, por cinco meses colaborando no "Projeto LIFE Fura-bardos" e também apoiar no projecto STARS (Sustainable Tourism Agents in Rural Societies).

Como estão a ver não é a primeira vez que estou a participar numa entidade ou associação de conservação da natureza como voluntária ou estagiaria, mas de certeza esta vez também vai ser uma experiência única e inesquecível, porque todas foram diferentes e muito enriquecedoras. Hoje foi o meu segundo dia e a verdade é que toda a equipa acolheram-me muito bem. Tenho boas vibrações e sei que vai-se criar um bom feedback de aprendizagem.


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New internship in SPEA - Madeira

Hello! My name is Gisela, I am from a village near Barcelona and I'm 27. I graduated in biology in 2011 at the Autonomous University of Barcelona and held a master's degree in management and nature conservation in 2013.
I consider myself a person committed to the preservation of natural ecosystems and biodiversity conservation, that's why I've been always involved in different projects. For example, during the bachelor, I realized an internship in the ecology department of the university (CREAF, Ecological and Forestry Applications Research Center ). Also I was collaborating with an entity dedicated to restoring the habitat of endangered species in Catalonia, called "Paisatges Vius".
At the beginning of 2014 I traveled to peruvian jungle and participated in the Amazon Rescue Center (CREA) as a volunteer for almost 4 months. Same year, I received the Leonardo da Vinci scholarship under the Erasmus Plus program and I started at the Botanical Garden in partnership with the Agronomy Institute of Lisbon.

When I came back to Catalonia I also worked voluntarily as an assistant in the Research Unit at Primates Rescue Center Fundació MONA.

Now I'm going to take part in SPEA-Madeira under the ARGO program, for five months collaborating in the "LIFE Fura-bardos" project and also supporting STARS project (Sustainable Tourism Agents in Rural Societies).

As you can see, is not the first time that I am participating in an entity or nature conservation association as a volunteer or intern, but for sure this time will also be a unique and unforgettable experience, because all of them were different and very enriching. Today was my second day and the truth is that the whole team welcomed me very well. I have good vibes and I know surely we are going to create a good learning feedback.
      

30 de junho de 2016

Portugal e o Mar (e o seu estudo pela Metodologia ESAS)

Portugal, devido à sua área marinha extensa, tem a 3º maior Zona Econômica Exclusiva (ZEE) da Europa, e  a 11ª do mundo. Além disso, é um lugar de reprodução, migração , invernada de milhares de aves marinhas. Por estes motivos, Portugal tem uma responsabilidade na conservação das aves marinhas. O Programa Marinho da SPEA tem-se a liderar o caminho desde 2004.


Maiores Zonas Econômicas Exclusivas no mundo


Hoje o programa Marinho de SPEA é uma referência nacional e internacional na conservação das aves marinhas, com experiência em campo e política, ativa em Portugal continental, Açores e em “nossa” Madeira, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, e fornecendo apoio técnico para outros parceiros BirdLife, como podem ser Malta o Grécia.


SPEA mantém um dos maiores bancos de dados marinhos da Europa, e planeja usá-lo não só para a conservação das aves marinhas e proteção do meio marinho, mas também a aplicação de planos de gestão em torno das ilhas e nas zonas costeiras ocupadas. Há que relembrar que das 334espécies de aves marinhas registadas no mundo, 20 nidificam em Portugal (Equipa Atlas 2008), cerca do 6%,e muitas outras utilizam as águas incluídas na ZEE Portuguesa. Ademais, duas espécies são endémicas do arquipélago da Madeira: a ameaçada freira-da-madeira Pterodroma madeira que nidifica nas montanhas da ilha da Madeira; a freira-do-bugio Pterodroma deserta que constroi os seus ninhos no Bugio


Zona Econômica Exclusiva de Portugal


Algumas metodologias para estudar as aves marinhas
Se podem resumir em:
  • Censos marítimos: Determinação da densidade de aves marinhas através da realização de transectos a bordo de embarcações diversas.
  • Censos aéreos:  Complemento dos censos marítimos através de transectos realizados em pequenas aeronaves
  • Data-loggers: Colocaçao de registradores electrónicos em aves marinhas de maior porte para determinar as suas zonas de alimentação e repouso e estudos de comportamento.



Data-loggers em uma cagarras.

  • Radio-tracking: Técnica possível para seguimento remoto de aves marinhas de pequeno porte pode ser considerada uma metodologia para determinar zonas de alimentação das espécies mais pequena.
  • Já muitos mais utilizado no Programa Marinho de SPEA, também poderiam ser interessante citar os censos costeiros, os dias RAM(Rede de observação de Aves e Mamíferos Marinhos), uma rede de observação de aves a o largo das costas, preferencialmente no mesmo horário.


Eu, no âmbito da minha bolsa, vou trabalhar na realização de censos marinhos e em sua metodologia ESAS.

Metodologia ESAS


Esta metodologia consiste em que os dados são recolhidos ao longo de transectos lineares (divididos em estações de observação), definidos por observações contínuas, num determinado período de tempo (5 minutos) e são expressos em densidades (aves/km2). Todas as aves em contacto com a água, que se encontrem dentro de uma área de observação pré-definida são contabilizadas. Esta área de observação é definida por um quadrado de 300m de lado, localizado para vante e para um dos bordos da embarcação, ficando o observador como um dos vértices do quadrado. As aves em voo são contabilizadas através de registos instantâneos, realizados de forma regular ao longo do transecto, de modo a não sobreavaliar a sua densidade.

Transectos realizados com a metodologia ESAS (Atlas das Aves Marinhas de Portugal, 2014)


Metodologia ESAS na historia

O banco de dados da ESAS é uma parceria de colaboração entre JNCC e os pesquisadores de aves marinhas no noroeste da Europa. Cerca de 3 milhões de contagens de aves marinhas foram recolhidos a partir de inquéritos no mar de navios e aeronaves desde 1979 seguindo métodos normalizados, originalmente este método foi crelado por Tasker et al 1984, mas tene sido revisado, por exemplo, para adicionar a recolhida de dados comportamentais.


Metodologia ESAS na Portugal

Comenco-se a utilizar a Metodología ESAS de uma manera sistemática com o projecto LIFE IBAs Marinhas, coordenado pela SPEA, que pretendia definir as áreas mais importantes em Portugal para as aves marinhas em termos de zonas de alimentação e repouso, e outros comportamentos relevantes para a sua vida no mar.  



Por exemplo esta metodologia já tene sido empregada em outros muitos projetos, por citar algumas; projeto LIFE SCANS II (Small Cetaceans in the European Atlantic and North Sea)  ou o projecto FAME (Future of the Atlantic Marine Environment) que é um ambicioso projecto estratégico de cooperação internacional, que tem como objectivo a proteção do meio marinho Atlântico, onde SPEA é parceiro, e uma aplicação desenvolvida por SPEA, permite o visionado de muitos dos dados do projecto.