quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O caminho que me trouxe à SPEA





Olá a todos,


Sou a Margarida, tenho 19 anos e sou natural do Santo da Serra, Madeira. Por viver nesta zona desde pequena, sempre senti uma forte ligação com a natureza, mas também tinha um interesse muito grande pela língua inglesa e, então, andei à procura de algo que juntasse estas duas áreas.

Assim sendo, no secundário, tirei o Curso Profissional de Técnico de Turismo Ambiental e Rural, entre 2013 e 2016, através do qual fui motivada a adotar novos hábitos e atitudes em prol da conservação ambiental. Durante estes 3 anos, realizei várias atividades, como por exemplo, plantar e acompanhar a evolução da horta da escola no contexto da agricultura biológica e planear e coordenar eventos.

Para dar continuidade a este processo de aprendizagem decidi inscrever-me no Curso Técnico Superior Profissional de Guias da Natureza, na Universidade da Madeira, com início em 2016. Durante este curso adquiri imensos conhecimentos acerca do Arquipélago da Madeira, com principal foco nas plantas e aves, bem como morcegos, borboletas, agricultura, locais de interesse e desportos na natureza. A cadeira de Flora foi uma das minhas preferidas e a que mais me impactou através da sensibilização para os efeitos negativos das espécies invasoras. Foram muitas as saídas de campo realizadas nesta área, a partir das quais desenvolvi um fascínio pela Douradinha (Ranunculus cortusifolius) e a Alegra-campo (Semele androgyna).

Douradinha
(Ranunculus cortusifolius)

Alegra-campo
(Semele androgyna)

No segundo ano do curso, a componete prática teve muita importância para mim, não só pelos conhecimentos que retive, mas também porque a minha capacidade física e mental foi posta à pova numa série de atividades, principalmente desportivas, fazendo com que superasse alguns dos meus medos. A última atividade foi uma expedição desde o Paúl da Serra até ao centro da Calheta, por 3 dias, durante a qual descemos uma ribeira que, para mim, foi o derradeiro desafio. No fim da expedição, apesar do cansaço e das dores, a sensação de realização e de superação tomou conta de mim, ficando muito contente por ter conseguido completar este desafio.

Escalada no parque desportivo de Água de Pena

Ribeira que descemos durante a expedição

Agora estou quase a acabar o curso, sendo que este último semestre é dedicado ao estágio, que decidi fazer na SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, uma vez que o meu interesse sempre assentou mais nas plantas e nas aves, pelo que espero reter informação suficiente que me possibilite ser uma boa guia no futuro ou que me capacite para qualquer outro projeto no qual decida embarcar.




Hi everyone,


I'm Margarida, I'm 19 years old and I'm from Santo da Serra, Madeira. Having lived here my whole life, I always felt a stong conection with nature, but I also had a great interest for the English language and so I started looking for something that could bring these two areas together.

With that being said, in secondary school, I took a Professional Course on Environmental and Rural Tourism, from 2013 to 2016, through which I was motivated to adopt new habits and attitudes in favor of environmental conservation. During these 3 years, I carried out various activities, such as planting and monitoring the evolution of the school garden in the context of organic farming and planning and coordinating events.

To continue this learning process, I decided to take another course, this time at the University of Madeira, that would allow me to became a Nature Guide, which I started back in 2016. This course provided me with so much knowledge about the Archipelago of Madeira, mainly on plants and birds, as well as bats, butterflies, agriculture, places of interest and sports in nature. One of my favourite classes and the one that had the most impact on me was Flora, due to the problematic of envasive species. We went on many field trips on this class, through which I developed a fascination for Douradinha (Ranunculus cortusifolius) and Alegra-campo (Semele androgyna).

Douradinha
(Ranunculus cortusifolius)

Alegra-campo
(Semele Androgyna)

In the second year of the course, the practical component was very important to me, not only for what I learned, but also because I was tested physically and mentally in a series of activities, mainly to do with sports, that helped me get over some of my fears. The last activity I did was an expedition from Paúl da Serra to the center of Calheta, lasting 3 days, during which we descended a water stream that, for me, was the ultimate challenge. At the end of this expedition, despite the fatigue and pain, the sense of accomplishment took over me and I was very glad to have managed to complete this challenge.

Climbing in parque desportivo de Água de Pena

Water stream we descended
during the expedition

Now I'm almost finishing the course and this last semester is dedicated to the internship, which I decided to do at SPEA – Portuguese Society for the Study of Birds, since my main interest has always had to do with plants and birds, where I hope to learn enough to become a good guide in the future or to be able to apply for any project that I find interesting to be a part of. 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Homo madeirensis


Olá a todos,

Sou Raquel, natural de Alicante (Espanha). Quando eu comecei a estudar Biologia, não sabia o que eu gostava, mas à medida que os cursos passavam, eu percebi que eu realmente gostava da conservação do meio ambiente e da biodiversidade. Quando eu fiz as prácticas para o cumplimento do acordo CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens) senti em meu lugar, descobri que, para  mim, o mais importante é trabalhar em algo que contribua para um bem na naturaleza.
Psittacus erithacus e Panthera tigris,espécies ameaçcadas no tráfico de espécies incluidas nos Anexos CITES
Outra parte importante foi que, há 4 anos, participei, por casualidade, de um voluntário da floresta de 10 dias em uma área natural de Alicante. Foi uma experiência inesquecível, senti em conexão com a natureza, aprendi com muitas pessoas e acordei em mim o interesse pela natureza e sua preservação. Foi tão importante para mim que acabei atendendo a cada verão desde então e até os dois últimos trabalhavam como monitor lá. E foi também esse o trabalho para o qual tive que assumir o meu lado mais criativo em termos de realização de atividades na natureza, descobrindo a importância da educação ambiental.

Imagens dos voluntários em Xorret de Catí (Alicante)
Depois, sem saber quando e como, o grupo das aves ficou muito interessado. E eu comecei a documentar, a aprender sobre eles, a participar de anigagems e projetos relacionados e a fazer cursos para me informar. Muitas espécies são bastante semelhantes entre Alicante e Madeira, a diferença está na subespécie.

Imagens de anigagem em Aspe (Alicante). Acima: Frigilla coelebs e Motacilla cinerea, das quais exstem duas subespécies na Maderia e Abajo: Lucinia svecica eTurdus philomelos em Alicante (Espanha).


Um dia, eu já estava terminando biología, alguém me falou sobre a existência do programa Erasmus + Aitana. Fiquei interessado, então visitei o site. Houve dois dias para terminar o prazo e eu disse para mim, eu tenho que tentar. Eu vi a vaga para ajudar no projeto LuminAves na Madeira e pensei que essa vaga deve ser minha. E depois de muitos meses sem novidades, recebi a mensagem para fazer a entrevista e definitivamente conseguir o lugar.
E aqui estou agora, no escritório de Spea Madeira, realizando estágios no projeto Lumin Aves. Muito feliz por finalmente ter aprendido e contribuído para o mundo das aves e sua conservação :).

Primera semana de inicio de las prãcticas en SPEA Madeira, Proyecto LuminAves.


Hi everybody,

I'm Raquel, I'm from Alicante (Spain). When I started studying Biology, I did not know what exactly I liked, but as the courses passed, I realized that I really liked the conservation of the environment and biodiversity. When I did the practices for the fulfillment of the CITES agreement (Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora) I felt in my place, I discovered that for me the most important thing is to work on something that contributes to a good on the nature.

Psittacus erithacus and Panthera tigris. Species endangered in the trade of species included in the CITES annexes.

Another important part was that 4 years ago I attended, by chance, a 10-day forest volunteer in a natural area of ​​Alicante. It was an unforgettable experience, I felt in connection with nature, I learned from many people and woke up in me that interest in nature and its preservation. It was so important to me that I ended up attending every summer since then and even the last two worked as a monitor there. And it was that work also for which I had to take my more creative side in terms of carrying out activities in nature, discovering the importance of environmental education.

Image of the Mediterranean mountains of Alicante, the place on where the forest volunteers work
Afterwards, without knowing when and how, the group of birds became very interested to me. And I started to document, to learn about them, to attend banding and related projects and to take courses to inform me. Many species are quite similar between Alicante and Madeira, the difference is in the subspecies.

Images of anigagem in Aspe (Alicante). Above: Frigilla coelebs and Motacilla cinerea, from which two subspecies existed in Maderia and Abajo: Lucinia svecica eTurdus philomelos in Alicante (Spain)

One day, I was already finishing the university, someone told me about the existence of the Erasmus + Aitana program. I was interested, so look at the website. There were two days to finish the term and I said to myself, I have to try. I saw the square to help in the LuminAves project in Madeira and I thought, that has to be mine. And after many months without news, I received the message to conduct the interview and definitely get the place.
And here I am now, in the office of Spea Madeira, doing internships in the Lumin Aves project. Very happy to have finally come to learn and contribute to the world of birds and their conservation :).

First week of initiation of the practices in SPEA Madeira, Project LuminAves.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Tudo o que é bom termina breve.



Bem, pois aqui chegou o fim.  

Este é meu último artigo, e com ele, o fim das minhas aventuras na Madeira. Sim, passaram 4 meses desde a minha chegada, rápido não é? Mas isso é o que estas bolsas proporcionam: são curtas, muito intensas e deixam-nos com um gosto agridoce no final, por tudo o que vivemos em tão pouco tempo, pelas despedidas e por ter que retornar à realidade ... mas também com uma experiência indelével e o que definitivamente vale a pena ter. Eu sei porque no meu caso, eu declaro-me viciada nesse tipo de experiências e eu recomendo sempre a todos.
Então, este será o tópico de meu último artigo, dessas bolsas e oportunidades que nos ajudam a mudar de países enquanto aprendemos, adaptamo-nos a diferentes situações e ambientes e conhecemos pessoas de todo o mundo e até nós mesmos.
Começarei com os mais típicos para qualquer estudante de grau, pelo menos em Espanha, as quais claro, são as que conheço melhor.

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  • Bolsas de ESTUDO para estudantes de grau
Cada universidade tem uma oferta diferente e uma concessão específica para cada país, o ideal é consultar o escritório de relações internacionais da universidade, mas os que geralmente não falham são:
- ERASMUS STUDIES → permite estudar em uma universidade europeia, dependendo do acordo entre as universidades (4-9 meses).
- IBERO-AMERICA doBanco Santander → semelhante ao anterior, mas só há opção de 6 meses e numa universidade latino-americana. 
  • Bolsas de PRÁTICAS para estudantes:
- ERASMUS PRÁTICAS → O estudante deve agir sozinho mesmo a procura de práticas nas empresas que resultam da sua interesse dentro de Europa. Esta bolsa pode ser apreciada como estudante ou até um ano depois de terminar o grau (2-6 meses).
- PROGRAMA FARO → apenas para estudantes de Espanha que devem se registar ou procurar onde possam realizar seus estágios em empresas e organizações localizadas na Europa, Estados Unidos, Canadá e em empresas espanholas ou multinacionais na Ásia e Oceânia (5-8 meses).

Mas ... quando você sai da universidade? E você se vê fora desse lago seguro e apenas em face do perigo do oceano?



Bem, aqui também existem várias opções para graduados que podem ajudar a orientar seu futuro profissional ou mesmo conhecer novas áreas que você nunca considerou.
  • ESTÁGIOS para graduados universitários:
- PROGRAMA ARGO → semelhante com o FARO em termos de condições e de destino, mas exclusivamente para graduados de universidades espanholas com menos de 35 anos.
- EURODISSEIA → Estágios na Europa com remuneração que geralmente incluem aulas de linguagem, acomodação, refeições e até mesmo viagens. Têm uma duração máxima de 7 meses e destinam-se a graduados de menos de 30 anos com conhecimentos linguísticos.

Outra opção muito interessante, e pessoalmente, uma das que eu sempre considero em momentos como este no terminar um estágio é o EVS (Serviço Voluntariado Europeu). Eu sei que, como a bolsa de Eurodisseia, muitas pessoas neste blog já falaram sobre essas oportunidades de sua própria experiência ... Mas, em resumo: EVS é um voluntário para jovens entre 17-30 anos de duração de 6 meses e até 1 ano que abrange uma percentagem da viagem, alojamento, comida, dinheiro de bolso e aulas de idiomas. O interessado tem que entrar no sitio web e seleccionar um ou vários projectos e entrar em contacto com a organização de envio de cada projecto.

Até agora, esses são os mais conhecidos por mim, mas certamente há muitos, muitos mais, e sim, todos têm seus requisitos e burocracia, de modo que realmente é preciso estar motivado para não ser desencorajado porque todos podem ser alcançados. Além disso, minha selecção foi precisamente porque essas bolsas de estudo foram experimentadas por mim pessoalmente ou por pessoas próximas a mim, então não é tão complicado.




Quanto ao resto, eu só posso dizer a esta ilha, à SPEA e a todas as pessoas que conheci aqui e deram me muito de mil maneiras... OBRIGADA! E, claro, ATÉ JÁ!










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Well, here is the end.
My last article, and with it, the end of my adventures in Madeira. Yes, it has already been four months since my arrival, that was fast isn't it? But this is what these scholarships have, they are short, very intense and leave us with a bittersweet taste at the end, for everything we live in so little time, farewells and return to the reality ... but with an indelible experience that without doubt is worth having. I know it because in my case, I declare myself addicted to this type of experience and I always recommend it to everyone.
So, this will be the topic of my last article, these grants and opportunities that help us move across countries as we learn, adapt to different situations and environments, and meet people from all over the world and even ourselves.
I will start with the most typical ones for any graduate student, at least in Spain, which of course, are the ones I know best.

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  • STUDY Scholarships for undergraduate students:
Each university has a different offer and a specific grant for each country, the ideal is to consult the university's international relations office, but the ones that usually do not fail are:
- ERASMUS STUDIES → Allows you to study at a European university, depending on the agreement between universities (4-9 months).
- IBERO-AMERICA Santander Bank → Similar to the previous one, but there is only option of 6 months in a Latin American university.
  • INTERNSHIPS grants for students:
- ERASMUS Internship → Student must look for their own traineeship in the companies that result from their interest within Europe. This grant can be got by current students or one year after finishing the master or degree studies (2-6 months).
- FARO PROGRAM → Only for students from Spain who must register or search where they can carry out their internships in companies and organizations located in Europe, United States, Canada and in Spanish or multinational companies in Asia and Oceania (5-8 months).

But ... what about people who already left the university? And suddenly you see yourself out of that safe lake and only in the face of the danger of the ocean?

                                               
Well, here too there are several options for graduates who can help you to guide your future profession or even to know new areas that you had never considered.
  • INTERNSHIPS for university graduates:
- ARGO PROGRAM → similar to FARO in terms of conditions and destination, but exclusively for graduates of Spanish universities under 35 years old.
- EURODISSEIA → Internships in Europe with remuneration which usually include language classes, accommodation, meals and even travel. They have a maximum duration of 7 months and are for graduates of less than 30 years old and with language skills.
Another very interesting option, and personally, one that I always consider for myself when I'm finishing a placement exchange... is the EVS (European Volunteering Service). I know that, as the Eurodyssean scholarship, many people on this blog have already talked about this from their own experience ... But in summary: EVS is a volunteering for young people between 17-30 years old with duration between 6 months and 1 year. It covers a percentage of the trip and whole expenses of accommodation, food, pocket money and language lessons. The interested person must check the website, select one or several projects and get in touch with the sending organization of each project.
So far, those are the most popular for me, but there are certainly many many more, and yes, they all have their requirements and bureaucracy, so you really need to be motivated to not get discouraged because everyone can be reached. Also, my selection was precisely because these scholarships were tried by me personally or by people close to me, so it's not that complicated.



As for the rest, I can only say to this island, SPEA and all the people I met here and who gave me a lot of in so many different ways ...

THANK YOU! And, of course, ATÉ JÁ!





quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A contar cantos


Quantas vezes nos acontece estar no meio da natureza e, apesar de não ver nada, sabemos que não estamos sozinhos? Não estou falando de nada espiritual ou extraordinário, refiro-me à habilidade dos animais de perceber e identificar outros animais através do som característico que produzem. Essa capacidade de distinguir, por exemplo, os cantos das aves é frequentemente usada para localizar e estudar suas populações através de censos acústicos.

Exemplos de metodologias utilizadas nestes censos por escutas:
  1. Estações de escuta.
    Dividiu a área a ser estudada em quadrículas (em geral de UTM 10-10km), o que se pretende é que a pessoa faça um período de escuta e observação dum determinado tempo em diferentes pontos de cada quadrícula. Deve registar se cada espécie o número total de indivíduos diferentes, detetados por via auditiva ou visual, em cada banda de distância.
  1. Transectos e chamamentos (playback).
    Este tipo de amostragem consiste na reprodução da canção duma ave durante um período de tempo, deixando o reprodutor a uma distância do observador e ficando atento aos espécimes que respondem aos chamamentos ou/e canções dos machos. A localização dos indivíduos detetados fica assim registrada no GPS.
  1. Amostragem acústica.Com um equipamento de audição amplificado e gravadoras fico em pontos previamente identificados, trata-se de gravar todos os cantos ao mesmo tempo que tomamos nota do que ouvimos ao vivo. Estas gravações nos fornecem dum registro permanente do censo que podem ser usadas depois para analisar a composição das espécies e a abundância relativa das comunidades de aves. Além disso têm outras vantagens como os problemas logísticos que podem surgir no campo ou minimizar os erros dos observadores mais inexperientes (entre os quais eu me incluo).
As vezes a gravação de sons é freqüentemente usada juntamente com a técnica de reprodução para atrair aves para o observador, de forma que possam ser identificados visualmente, ou também para atraí-los para armadilhas para sua captura.

Como você sabem por outros artigos, agora mesmo a terceira metodologia é a que usamos no SPEA-Madeira em nossos censos de aves marinhas. Da minha parte, depois de três meses e meio na Madeira percebi que, apesar da minha capacidade surpreendentemente limitada de memorizar e distinguir os cantos das aves, com muitos censos e revisão de gravações, consegui distinguir as de algumas das aves marinhas endémicas da ilha. Aqui deixo uma pequena amostra de, em minha opinião, os mais chamativos e que podem ser ouvidos nesta época do ano perto da costa.

                                                     Cagarra       Patagarro     Pintainho


Para terminar ... Alguns dados curiosos sobre os cantos das aves e sua evolução:

  • Geralmente se reconhecem dois grandes grupos de aves, as “não passeriformes” (aqueles que não constituem o grupo de aves canoras, que incluem patos, galináceas, papagaios, pombos ...) e as “passeriformes” (aves canoras no sentido estrito).
  • Os chamamentos são usados por adultos e juvenis em qualquer época do ano. Enquanto aos cantos, geralmente são produzidas pelos machos durante a época de reprodução para atrair ao casal e defender seu território.
  • Há aves que têm um maior repertório de cantos do que outros, isso parece estar relacionado com à defesa de seu território e à atracão das fêmeas. Verificou-se que aqueles com mais variedade têm mais testosterona, ocupam um território maior e são capazes de defender mais recursos para alimentar aos filhos. Além disso, seus descendentes têm maior sobrevivência do que aqueles com cantos menos variados.
  • Demonstrou-se que em algumas espécies, existem em os cantos certa variação geográfica, o que são conhecidos como "dialetos". Isto quer dizer que indivíduos da mesma população têm cantos diferentes de acordo com as áreas onde vivem e que servem como critérios de selecção para as fêmeas. No caso do diamante-mandarim (Taeniopygia guttata) , por exemplo, as fêmeas comparam seu dialecto com o do pretendente de tal forma que, se for semelhante, eles o rejeitam. Isso ajuda a evitar a endogamia, por isso são um indicador do isolamento genético. Estas são mais propensas a se formar novas espécies no longo.




                                
Foto de I fucking love science.


How often do we find ourselves in the middle of nature?and despite we see nothing, we know we are not alone? I am not talking about anything spiritual or extraordinary, I am referring to the ability of animals to perceive and identify other animals through the characteristic sound they produce. This ability to identify, for example, bird songs is often used to localize and study their populations through acoustic methods.
Examples of methodologies are:
  1. Listening stations.
    The area to study is divided in grids (usually UTM 10-10km), what is intended is that the person makes a period of listening and observing in different points of each grid. The total number of different individuals for each species that have been detected visually or aurally, should be recorded.
  2. Transects and calls (playback).
    This type of sampling consists of the reproduction of bird songs and calls during a period of time, leaving the player at a distance from the observer and paying attention to the specimens that respond to the calls and / or songs of the males. The location of detected individuals may be recorded in the GPS.

  3. Acoustic sampling.
    With an amplified hearing and recording equipment fixed in previously identified points, the goal it's recording all the bird sounds at the same time that we take note of what we hear live. These recordings provide us of permanent census records that can be used to analyze species composition and the relative abundance of bird communities. In addition they have other advantages like sort out logistical problems that can arise in the field or to minimize the errors of the most inexperienced observers (here I include myself).
    Sometimes sound recording is often used in conjunction with the call technique to attract birds to the viewer so that they can be visually identified or to capture them in the mist nets.

As you know from other articles, right now the third methodology is the one we use at SPEA-Madeira in our seabird censuses. For my part, after three and a half months in Madeira, I realized that, despite my surprisingly limited ability to memorize and distinguish bird songs, after many censuses and review of recordings, I managed to identify some of the island's endemic seabirds. Here I leave a small sample of, in my opinion, the most startling ones that can be heard at this time of year near the coast.


               Cory'sshearwater                  Audubon'sShearwater                   ManxShearwater

To conclude ... Some curious notes about the birdsongs and their evolution:

  • In general, two large groups of birds are recognized, the non-passeriformes (those that do not constitute the group of singing birds which includes ducks, gallinaceae, parrots, pigeons ...) and passeriformes (singing birds in the strict sense).
  • Calls are used by adults and juveniles at any time of the year. While songs are usually produced by males during the breeding season to attract the couple and defend their territory.
  • There are birds that have a greater repertoire of songs than others, this seems to be related to the defense of their territory and the attractiveness of the females. It has been found that those with more variety of songs have more testosterone, they occupy a larger territory and are able to defend more resources to feed their chicks. In addition, their offspring have more survival options than those with less varied repertoire.
  • It has been shown that in some species, there are certain geographical variations in the birdsongs, which are known as "dialects". This means that individuals of the same population have different songs according to the areas where they live and that serve to females as selection criteria. In the case of the mandarin diamond (Taeniopygia guttata), for example, the females compare their own dialect with that of the pretender in such a way that, if is similar, they reject him. This helps prevent inbreeding, so they are an indicator of genetic isolation. These are more prone to forming new species in the future.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Projeto da voluntária EVS Teresa Coelhho realizado na associação Ambios: Monitorização de pequenos mamíferos terrestres

A minha experiência durante o voluntariado foi muito positiva. Convivi diariamente com pessoas incríveis, conheci sítios lindos, e aprendi bastante, num ambiente saudável e positivo.

Ao longo da semana eram feitas diferentes actividades, que incluíam cuidar dos animais da quinta, trabalhar na horta, trabalho com madeira, construção de caixas abrigo para morcegos e aves. Por vezes eram feitas visitas a reservas naturais e outros pontos de interesse, havia também aulas de inglês aplicadas à conservação e ecologia de espécies animais e vegetais, identificação de aves e plantas, entre outros assuntos. Paralelamente ocorriam projectos de conservação, tais como a monitorização de aves, morcegos, invertebrados, pequenos mamíferos e a utilização de câmaras para captar a presença de texugos.

O meu projecto pessoal envolveu a elaboração de um plano anual de monitorização de pequenos mamíferos terrestres. Para ver se o projecto era concretizável e averiguar qual o tipo de espécies presentes na área, fiz monitorização com armadilhas em 5 locais diferentes da quinta.

Estas espécies têm uma grande importância, pois são a principal presa de muitas aves de rapina e carnívoros, são também um bom indicador do estado dos ecossistemas, uma vez que são bastante sensíveis à perturbação, já que estão dependentes de micro habitats específicos. O principal objectivo da monitorização de pequenos mamíferos na quinta foi em primeiro lugar perceber quais as espécies presentes e a sua abundância relativa e em segundo lugar perceber ao longo do tempo as variações nas populações, e ainda verificar se existe alguma ligação entre a pressão causada pelo gado através da pastagem e a variação no número de pequenos mamíferos.

O plano anual permite que de três em três meses se faça monitorização destas espécies, uma vez que os grupos de voluntários geralmente ficam durante três meses na quinta e desta forma é possível acompanhar as populações ao longo do ano, haver sempre uma ou mais pessoas responsáveis pelo projecto e todos os grupos podem aprender a fazer este tipo de estudos.

A armadilhagem foi feita durante duas semanas, na primeira em três campos com diferentes pressões de pastagem, na segunda semana foi feita numa área destinada à conservação, onde não ocorre pastagem e também ao longo de uma vedação natural. Em cada um dos locais as armadilhas foram dispostas com 10 metros entre si, sendo utilizadas nove armadilhas em cada local. Na vedação natural as armadilhas foram dispostas ao longo de um transepto com 90 metros e nos outros locais foram dispostas com 10 metros entre si, num quadrado de 20 x 20 metros.

Em cada um dos locais houve quatro dias de isco com as armadilhas trancadas, de modo a que não se fechassem na presença de animais, para que os indivíduos se habituassem às armadilhas e desta forma melhorar os resultados, conseguindo um maior número de capturas. Após esses quatro dias de isco, as armadilhas eram activadas às 17h00m e verificadas às 00h00m e às 07h00m, estando fechadas durante o dia, entre as 07h00m e as 17h00m.

Ao verificar as armadilhas, no caso de haver captura, os parâmetros biométricos registados foram a espécie, sexo, maturidade e massa corporal. Os indivíduos capturados pela primeira vez foram marcados com um pequeno corte do pelo, efectuado com uma tesoura.

As únicas espécies capturadas foram Apodemus sylvaticus e Myodes glareolus. Ocorreram 33 capturas durante as duas semanas da monitorização, 13 Apodemus sylvaticus e 20 Myodes glareolus. Houve apenas cinco recapturas, 2 A. sylvaticus e 3 M. glareolus.

A grande parte dos indivíduos foi capturada na área de conservação e na vedação natural. Apenas 3 deles foram capturados durante a primeira semana, em que a monitorização ocorreu nas pastagens.

Através dos resultados obtidos foi possível fazer algumas alterações na metodologia, que foram incluídas no plano de monitorização anual, de forma a obter melhores resultados no futuro.

Trabalho de campo: monitorização de armadilhas

My experience during my volunteering was very positive. I as living daily with incredible people, met beautiful places, and learned a lot in a healthy and positive environment.

Throughout the week different activities were done, which included taking care of the farm animals, working in the garden, working with wood, building shelters for bats and birds. There were also visits to nature reserves and other points of interest, as well as English lessons applied to the conservation and ecology of animal and plant species, identification of birds and plants, among other subjects. At the same time, there were some conservation projects such as the monitoring of birds, bats, invertebrates, small mammals and the use of cameras to capture the presence of badgers.

My personal project involved the development of an annual monitoring plan for small terrestrial mammals. To see if the project was feasible and to find out the type of species present in the area, I did monitoring with traps in 5 different places of the farm.

These species are very important because they are the main prey of many predatory birds and carnivores. They are also a good indicator of the state of ecosystems, since they are very sensitive to disturbance, because they are dependent on specific microhabitats. The main objective of monitoring small mammals in the farm area was firstly to understand which species are present and their relative abundance, and secondly to note the variations over time in the populations and to verify if there is any link between the grazing pressure of the farm animals and any variation in the number of small mammals.

The annual plan allows monitoring of these species every three months, since the volunteer groups usually stay for three months at the farm and by this way it is possible to follow the populations throughout the year, always having one or more persons responsible by the project and all groups can learn to do this type of studies.

The trapping was done during two weeks, the first one in three fields with different pasture pressures, the second week trapping was made in a conservation area, where pasture does not occur and also along a natural fence. In each of these two points the traps were arranged keeping 10 meters between them, using nine traps in each place. In the natural fence the traps were arranged along a transept with 90 meters and in the other places were arranged with 10 meters between each one, in a square of 20 x 20 meters.

In each point there were four days of bait with the traps locked, so that they did not close in the presence of animals, so that the individuals got habituated to the traps and in this way to improve the results, obtaining a greater number of catches. After these four days of bait, the traps were activated at 5:00 p.m. and checked at 00:00 p.m. and 07:00 p.m., being closed during the day, between 07:00 and 17:00 p.m.

At the time of checking the traps, in case of get any capture, the biometric parameters recorded were the species, sex, maturity and body mass. Individuals first-time captured were marked with a small hair cut made it by scissors.

The only species captured were Apodemus sylvaticus and Myodes glareolus. There were 33 catches during the two weeks of monitoring, 13 Apodemus sylvaticus and 20 Myodes glareolus. There were only five recaptures, 2 A. sylvaticus and 3 M. glareolus.

Most of the individuals were caught in the conservation area and in the natural fence. Only 3 of them were caught during the first week, where monitoring occurred on pasture.

Through the results obtained it was possible to make some changes in the methodology, which were included in the annual monitoring plan, in order to obtain better results in the future.