O número total de espécies e
subespécies endémicas dos arquipélagos da Madeira e Selvagens é de 1419 taxa (1286
espécies e 182 subespécies), correspondendo a 19% da diversidade total. O Reino
Animal é o grupo com maior número de espécies e subespécies endémicas, nomeadamente
os moluscos (210) e os artrópodes (979), compreendendo cerca de 84% de todos os
endemismos da Madeira e Selvagens. A proporção de endemismo nos moluscos (71%)
é notável. As plantas vasculares têm 154 espécies e subespécies endémicas,
correspondendo a 13% da diversidade total das plantas. Os restantes grupos
taxonómicos apresentam menor número de espécies e subespécies endémicas: 36
fungos (correspondendo a 5% da diversidade total de fungos), 12 líquenes (2%),
11 briófitos (2%) e 15 vertebrados (24%).
A Ilha da Madeira tem inúmeras
espécies introduzidas, sendo muitas delas insetos. Após a checklist da fauna e
flora dos arquipélagos da Madeira e Selvagens, de Borges et al., 2008, já foram
encontradas na Madeira muitas outras novas espécies, algumas já tendo causado
alguns prejuízos a nível das espécies hospedeiras vegetais. Muitos dos escaravelhos
introduzidos são das famílias dos curculionídeos e dos cerambicídeos, havendo
também ocorrências de alguns buprestídeos, mas ainda sem efeitos conhecidos no
ecossistema.
Escaravelho das flores (Oxythyrea funesta)
Família: Cetoniidae
O escaravelho das flores observei
pela primeira vez em 2017 no Monte, numa inflorescência de copo-de-leite (Zantedeschia
aethiopica). Desde então, tenho notado que está a aumentar a sua distribuição
por toda a ilha, alimentando-se de inflorescências de asteráceas, rosáceas e
boragináceas, tal como o Echium candicans, e muitas outras. Notei que quando
estão em maior número são capazes de estragar completamente as flores, o que
pode tornar-se preocupante a longo prazo.
A chegada desta espécie pode não só estar relacionada com as alterações climáticas, particularmente com o aumento das temperaturas, mas também com a importação de flores de corte e plantas envasadas onde estes insetos podem ser transportados, contribuindo para o aumento das populações locais.
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| Oxythyrea funesta em diversas inflorescências. |
Escaravelho-das-palmeiras (Rhynchophorus ferrugineus)
Família: Curculionidae
Espanha está muito afetada por esta praga, e está a ser investigada uma outra arma biológica que poderá ser utilizada neste combate. Os francelhos/peneireiros-vulgares (Falco tinnunculus) da região estão a alimentar-se quase exclusivamente do escaravelho vermelho. Nesta procura constante de inimigos naturais deste inseto, a esperança parece estar agora ligada ao desenvolvimento de estirpes de fungos entomopatológicos que parasitam os escaravelhos.
Os sintomas apresentados pelas
árvores devem-se à atividade alimentar das larvas nos tecidos do hospedeiro, e
só podem ser visíveis após três meses até mais de um ano, desde o início da
infestação. Apesar de ter destruído imensas palmeiras em Portugal, não se
conhecem quaisquer impactos negativos em espécies autóctones ou em ecossistemas
naturais, pelo que não pode ser para já considerada invasora.
Esta espécie prefere colonizar palmeiras já enfraquecidas,
mas também é capaz de colonizar palmeiras saudáveis. As fêmeas saem das
palmeiras já fecundadas, prontas a colonizar novas palmeiras. Podem ter quatro
gerações por ano, pondo até centenas de ovos numa só postura.
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| Ciclo de vida de Rhynchophorus ferrugineus. |
Gorgulho da Bananeira (Cosmopolites
sordidus)
Família: Curculionidade
Este gorgulho é um inseto com
impactos económicos referenciados em todo mundo, por causar elevados prejuízos
que limitam o desenvolvimento vegetativo da bananeira.
Como este inseto tem atividade
noturna e movimenta-se no interior das plantas, torna-se difícil observar a sua
presença, podendo passar despercebido pelos produtores e assim atingir elevados
níveis de infestação. Os adultos não provocam estragos na planta, sendo as
larvas as responsáveis pelos prejuízos, uma vez que, quando se alimentam, abrem
com a armadura bocal galerias no rizoma e na parte inferior do pseudocaule da
planta. As galerias dificultam os movimentos de água e dos nutrientes, o que
leva a um fraco desenvolvimento vegetativo da bananeira. A planta, mais frágil,
tem dificuldade em emitir o cacho, que fica malformado e pequeno. O sistema
radicular também fica pouco desenvolvido, o que facilita a queda da planta pela
ação do vento.
A monitorização da população com
armadilhas é indispensável para o controle deste inseto. A movimentação dos
insetos é condicionada pela Sordidina, uma feromona de agregação, que é emitida
pelos machos para atrair insetos de ambos os sexos para uma fonte de alimento.
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| Ciclo de vida de Cosmopolites sordidus. |
Longicórnio-do-pinheiro (Monochamus galloprovincialis)
Família: Cerambycidae
É um escaravelho longicórnio, uma família muito diversa, existindo mais de 100 espécies em Portugal destes escaravelhos que se alimentam de plantas. Na Madeira estão descritas 20 espécies, sendo quase todas introduzidas à exceção de 4!
Os escaravelhos desta família
reconhecem-se por terem as antenas muito compridas e compostas por segmentos
também muito compridos. Neste caso, trata-se de uma espécie cujas larvas se
alimentam da madeira do pinheiro. Infelizmente é também o vetor do nemátodo da
madeira do pinheiro (Bursaphelenchus xylophilus), e por isso não muito querido
dos produtores florestais. Este nemátodo de apenas 1mm de comprimento é o
causador da Doença da Murchidão do Pinheiro. Estes vivem nos canais de resina e
no xilema e, uma vez lá dentro, a sua alimentação pode bloquear rapidamente o
movimento ascendente de líquidos, levando à morte da árvore.
Para além destes escaravelhos
introduzidos, ocorrem muitas outras espécies de insetos que são prejudiciais
para a agricultura na Madeira, tais como moscas, pulgões(afídeos), cochonilhas,
e lagartas de lepidópteros tais como a lagarta da borboleta diurna Pieris
rapae, e de alguns noctuídeos como Chrysodeixis calcites, Cornutiplusia sp.,
Autographa sp. e Diaphania sp., e também alguns geometrídeos. Há também algumas
pragas de percevejos como o percevejo-do-abacateiro (Pseudacysta perseae) e a
mosca-branca. A mosca-da-fruta (Ceratitis capitata) e a mosca-da-couve (Delia
radicum) são também muito problemáticas. Podem ocorrer ainda doenças nas
culturas causadas por vírus e fungos.
A agricultura e as aves têm uma relação
de benefício mútuo. No entanto, os produtos agroquímicos trazem perigos para a
saúde pública e perda de biodiversidade, contaminando as águas, os solos e toda
a cadeia alimentar. Assim sendo, as aves são consideradas como reguladoras de
pragas e de doenças, muito eficazes em campos agrícolas biológicos, sendo
imperativo uma luta por uma agricultura compatível, uma agricultura que não
comprometa a natureza.
As aves são bons indicadores do equilíbrio do ecossistema. A presença e a conservação de aves e morcegos, é, portanto, uma mais valia para os mais diversos habitats da Ilha da Madeira, sendo que, por serem insectívoros, ajudam no controle de pragas de insetos.
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| Melro-preto (Turdus merula) e campos agrícolas: uma relação de benefício mútuo. |





