terça-feira, 3 de março de 2026

A new adventure

Olá a todos,

O
 meu nome é Kathleen Carreira Neves e estou a fazer o mestrado em Biologia dos Organismos e Ecologia na Université Catholique de Louvain, na Bélgica. Neste momento estou na Madeira, na SPEA, a realizar um estágio de quatro meses, e estou muito feliz por estar aqui para ver uma das aves mais fantásticas: o Madeira Firecrest, uma pequena espécie endémica. Mas, claro, não vim até aqui apenas por ele!

Nos últimos anos, os meus estudos têm-se focado em compreender como as atividades humanas influenciam o comportamento dos animais selvagens. Trabalhei anteriormente com morcegos e noitibós, e agora tenho a oportunidade de trabalhar com aves marinhas. Parece que acabo sempre por trabalhar com espécies noturnas, apesar de eu ser uma pessoa mais matinal!

O meu trabalho tem estudado principalmente os impactos da luz artificial durante a noite (ALAN) e da energia eólica offshore na vida selvagem. Estas experiências ajudaram-me a perceber como é importante ligar a investigação científica aos desafios reais da conservação da natureza. A ciência não deve ficar apenas entre cientistas; partilhar conhecimento com outras pessoas é essencial para aumentar a sensibilização e promover mudanças positivas na nossa relação com a natureza. A investigação científica também pode apoiar decisões de conservação e políticas mais informadas.

Na SPEA, vou trabalhar principalmente no projeto STOP Predators, que tem como objetivo proteger aves marinhas que evoluíram sem predadores naturais. Por causa desta história evolutiva (o seu Umwelt), estas aves são especialmente vulneráveis a espécies introduzidas, como ratos, murganhos, furões e gatos. Outros animais introduzidos, como coelhos e gado, também alteram a paisagem e degradam os habitats, criando desafios adicionais para estes ecossistemas frágeis.

Fazer parte de um projeto que inclui trabalho de campo, recolha de dados e análise permite-nos compreender melhor processos que normalmente não conseguimos observar diretamente.

Estou muito grata por esta oportunidade e tenho muito entusiasmo em aprender, contribuir e descobrir a Madeira durante esta experiência.

Kathleen

In nature, nothing exists alone – Rachel Carson, Silent Spring

 

English version 


Hi everyone,

My name is Kathleen Carreira Neves, and I am currently pursuing a Master’s degree in Organism Biology and Ecology at the Université Catholique de Louvain in Belgium. I am now in Madeira at SPEA for a four-month internship, and I’m very excited to be here to see one of the most amazing birds: the Madeira Firecrest, a tiny endemic species. Of course, I didn’t come all this way just for it!

Over the past few years, my studies have focused on understanding how human activities influence wildlife behaviour. I previously worked with bats and nightjars, and now I have the opportunity to work with seabirds — it seems my path keeps leading me to nocturnal species, even though I’m actually a morning person!

My work has mainly explored the impacts of Artificial Light At Night (ALAN) and offshore wind energy on wildlife. These experiences showed me how important it is to connect scientific research with real conservation challenges. Research does not only belong to scientists, sharing knowledge with everyone interested and it is essential if we want to raise awareness and encourage positive changes in our relationship with nature. Scientific studies can also play an important role in guiding conservation actions and supporting informed political decisions.

At SPEA, I will mainly contribute to the STOP Predators project, which focuses on protecting seabirds that evolved without natural predators. Because of this evolutionary history (their Umwelt) these birds are especially vulnerable to introduced species such as rats, mice, ferrets, and cats. Other introduced animals, like rabbits and livestock, also modify landscapes and damage habitats, creating additional challenges for these fragile ecosystems.
Being part of a project that involves every step, from fieldwork to data collection and analysis, allows us to observe and understand processes that are otherwise invisible.

I am very grateful for this opportunity and look forward to learning, contributing, and discovering Madeira through this experience.

Kathleen

In nature, nothing exists alone – Rachel Carson, Silent Spring

Hello from Madeira

 Português

Oi!

Eu sou a Sonia, tenho 24 anos e venho da Itália. Estudo Ciências Naturais em Bolonha e fiz a licenciatura em Biologia. Cresci nos Alpes, sempre rodeada pela natureza, e foi aí que nasceu a minha paixão por ela. À medida que fui crescendo, percebi o quanto as alterações climáticas estão a afetar o equilíbrio dos ecossistemas, e foi por isso que decidi dedicar os meus estudos à conservação e monitorização da flora e da fauna.

Gosto especialmente do ecossistema dos Alpes e das altas montanhas, mas para o meu mestrado decidi investigar e aprofundar os meus conhecimentos sobre algo muito diferente: o ecossistema particular da Madeira, que é único e bastante diverso daquilo a que estou habituada. Fascina-me a combinação entre montanha e oceano, e tenho muita curiosidade em conhecer a biodiversidade que estas condições específicas criaram. Ao visitar a ilha nos últimos dias, já fiquei impressionada com o microclima formado pela floresta da Laurissilva e pelas falésias íngremes de São Vicente.

Durante os meus estudos descobri que algumas espécies da Madeira estão ameaçadas, especialmente aves como a Calonectris borealis, e decidi participar nos projetos STOPpredators e NatureAtNight para ter a oportunidade de aprofundar os meus estudos e contribuir para a conservação destas aves.

Nos próximos meses participarei principalmente no projeto STOPpredators e estou muito entusiasmada sobretudo com o trabalho de campo. Ao longo do meu percurso académico em Bolonha não tive muitas oportunidades de prática no terreno, pois foquei-me mais no conhecimento teórico, e agora estou feliz por finalmente poder aplicar o que estudei nos livros e estar em contacto direto com a natureza. Graças a este estágio, terei a oportunidade de combinar duas das minhas maiores paixões: a conservação animal e o trekking. Espero poder contribuir e compreender melhor a vida das aves marinhas da Madeira.

Também poderei escrever a minha tese de mestrado com base nos dados e conhecimentos que irei desenvolver nestes meses, e pretendo utilizar as competências adquiridas nos meus futuros trabalhos, talvez ligados a ecossistemas ameaçados em Itália.

Mal posso esperar que esta experiência comece!

Até breve,
Sonia


English

Hi!

I am Sonia, I am 24 years old and I come from Italy. I study Natural Sciences in Bologna, and I did my bachelor’s degree in biology. I grew up in the Alps, I have always been surrounded by nature, and I became passionate about it. Becoming older I realized how much climate change is affecting the balance of ecosystems, and that is why I chose to dedicate my studies to conservation and monitoring flora and fauna.

I particularly enjoy Alps ecosystem and high mountains, but for my master’s degree I decided to investigate and gain more knowledge about something very different: the particular ecosystem of Madeira, which is unique and diverse from what I am used to. I am fascinated by the combination of mountains and ocean, and I am curious about the biodiversity that these specific conditions have created: visiting the island in the past few days I have already been amazed by the microclimate formed by Laurissilva forest and by the steep cliffs of São Vicente.

During my studies I discovered that some species of Madeira are endangered, particularly bird species like Calonectris borealis, and I decided to take part in the project STOPpredators and NatureAtNight to have the opportunity to deepen my studies and help in the conservation of these birds.

During the next few months I will be participating mainly in the STOP predators project and I am very excited mostly about the field work: throughout my academic journey in Bologna I didn’t have the chance to practice in the field, I focused more on theory knowledge, and I am happy to finally apply what I studied on books and be in contact with the nature. Thanks to this internship I’ll have the opportunity to combine two of my biggest passions, animal conservation and hiking, and I hope to be able to help and understand better the life of Maderia seabirds.

I’ll also be able to write my master thesis with the data and knowledge that I will develop in these months, and I intend to use the acquired skills and competences in my future jobs, maybe involving endangered ecosystems in Italy.

I can’t wait for this experience to start!

Bye everyone,

Sonia

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Gracias y hasta pronto SPEA

Há exatamente três meses começava a minha experiência aqui, na SPEA.

No dia 15 de setembro entrei no escritório nervosa, entusiasmada e com vontade de aprender coisas novas. Hoje 19 de dezembro, vou embora feliz, grata e com a esperança de que os nossos caminhos voltem a encontrar-se.

Escolhi vir para a SPEA porque reunia tudo o que procurava: e equilíbrio entre trabalho de campo, que permite um contacto direito com o ambiente, e a educção ambiental, através da qual é possível divulgar a importância da proteção da natureza e dos animais que nela vivem. 

Ao longo destes três meses tive a oportunidade de participar em diferentes atividades de sensibilizaçõ nas quais percebei a importância de trasmitir à população informação essencial sobre as aves marinhas, os seus problemas e como podemos ajudá-las. Também participei no projeto STOP Predators, onde pude observar de perto as ameaás que afetam estas aves, bem como conhecer melhor o seu comportamento. 

A campanha "Salve uma ave marinha" foi, sem dúvida, o momento mais esperado da minha estadia. Duante quase duas semanas fizimos patrulhas nnoturnas à procura de aves marinhas, especialmente a cagarra (Calonectris borealis). Poder ver estas aves de perto e dar-lhes uma segunda oportunidade foi uma experiência profundamente reconfortante, algo que nunca esquecerei. 

Por  último, a  possibilidade de comparecer a escolas, como parte do trabalho de educação ambiental desenviovido pela SPEA, permitiu.me conectar comos mais jovens e comprovar a importância de plantar a semente de cônsciencia desde idades precoces. Sem duvida, uma experiência que levo comigo e que reforça a minha vocação.

Obrigada a toda a equipa da SPEA pela recepção, o apredizagem e a oportunidade de fazer parte deste projeto.

Saio daqui como coração cheio graças a vocês.

Gracias y hasta pronto SPEA




Exactly three months ago, my experience here at SPEA began.

On September 15th, I walked into the office feeling nervous, excited, and eager to learn new things. Today, December 19th, I leave feeling happy, grateful, and hopeful that our paths may cross again in the future.

I chose to come to SPEA because it offered everything I was looking for: a balance between fieldwork, allowing direct contact with the natural environment, and environmental education, through which the importance of protecting nature and the animals that inhabit it can be shared.

Throughout these three months, I had the opportunity to take part in various awareness-raising activities, where I realized how essential they are for conveying vital information to the public about seabirds, the challenges they face, and how we can help protect them. I also participated in the STOP Predators project, where I was able to observe up close the threats affecting these birds and gain a deeper understanding of their behavior.

The “Save a Seabird” campaign was, without a doubt, the most anticipated moment of my stay. For nearly two weeks, we carried out nighttime patrols in search of seabirds, especially the Cory’s shearwater (Calonectris borealis). Being able to see these birds up close and give them a second chance was a deeply rewarding experience, one I will never forget.

Finally, the opportunity to visit schools and high schools as part of SPEA’s environmental education work allowed me to connect with younger generations and see firsthand the importance of raising awareness from an early age. It is, without a doubt, an experience I will carry with me and one that reaffirms my vocation.

Thank you to the entire SPEA team for the warm welcome, the learning experience, and the opportunity to be part of this project.

I leave here with a full heart, thanks to all of you.

Gracias y hasta pronto SPEA.




sábado, 6 de dezembro de 2025

Até breve, SPEA!

E assim, quase sem dar por isso, chegamos ao fim deste estágio na SPEA Madeira. Foram dois meses que passaram incrivelmente rápido, mas que acima de tudo foram extremamente enriquecedores. Ao longo deste período, estive sobretudo envolvido nas atividades da Campanha Salve Uma Ave Marinha, realizada sempre nesta altura do ano, que procura salvaguardar os juvenis de aves marinhas pelágicas afetados pela poluição luminosa. 

Em setembro, juntamente com as colegas de trabalho ao abrigo do Corpo Europeu de Solidariedade, estive no terreno a realizar uma campanha de sensibilização mais direta, quase “porta a porta”. Nos municípios aderentes visitei diversos estabelecimentos, tanto públicos como privados, desde restaurantes e hotéis a complexos balneares, onde demos a conhecer a nossa iniciativa, as espécies envolvidas e o que fazer caso encontrem uma ave. Gostei muito deste contacto próximo com as pessoas, e fiquei realmente feliz ao ver que cada vez mais gente está sensibilizada para o tema e disposta a aprender como proteger o grupo de aves mais ameaçado do planeta. Tive ainda a oportunidade de acompanhar o Manuel numa visita à colónia de cagarras, inserida no projeto STOP Predators. Nessa manhã o trabalho consistiu essencialmente na anilhagem e pesagem dos juvenis! 

Por fim, chegou aquele que talvez fosse o momento mais aguardado deste estágio: a campanha de resgate dirigida essencialmente aos juvenis de cagarras, que decorreu entre 23 de outubro e 5 de novembro. Enquanto membro do staff da SPEA, tive, tal como os meus colegas, as funções de ajudar na organização das equipas, enviar lembretes e, quando necessário, servir de motorista. Gostei imenso de participar, com a sensação clara de que estávamos a contribuir para uma ação importante de conservação. Tive a sorte de acompanhar brigadas em vários locais e, mesmo não tendo resgatado nenhuma ave pessoalmente, pude assistir a algumas sessões de anilhagem no Garajau. Outro ponto alto foi conhecer voluntários de tantas partes do mundo e partilhar com eles momentos de convívio, como o encontro no Parque de Santa Catarina. 

Para concluir este texto, quero dizer que adorei a experiência de estágio na SPEA Madeira. As minhas partes preferidas foram, sem dúvida, o trabalho de campo, tanto na sensibilização como nas campanhas, e levo daqui boas memórias, novas amizades e muito mais conhecimento sobre este magnífico grupo de aves marinhas. Até à próxima, SPEA Madeira.



And so, almost without realizing it, we have reached the end of this internship at SPEA Madeira. Two months that passed incredibly quickly, but above all were extremely enriching. Throughout this period, I was mainly involved in the activities of the Save a Seabird Campaign, carried out always at this time of year, which aims to rescue juvenile pelagic seabirds affected by light pollution.

In September, together with my co-workers under the European Solidarity Corps, I was in the field carrying out a more direct awareness campaign, almost “door to door”. In the participating municipalities, I visited several establishments, both public and private, from restaurants and hotels to beach complexes, where we presented our initiative, the affected species, and what to do if they find a bird. I really liked this close contact with people, and I was truly happy to see that more and more people are aware of the topic and willing to learn how to protect the most threatened group of birds on the planet. I also had the opportunity to accompany Manuel on a visit to the shearwater colony, part of the STOP Predators project. In that morning the work consisted essentially of ringing and weighing the juveniles!

Finally, the moment that was perhaps the most awaited of this internship arrived: the rescue campaign directed mainly at juvenile shearwaters, which took place between October 23 and November 5. As a member of the SPEA staff, I had, just like my colleagues, the tasks of helping to organize the teams, sending reminders and, when necessary, serving as a driver. I really enjoyed taking part, with the clear feeling that we were contributing to an important conservation action. I was fortunate to accompany teams in several places and, even without having rescued any bird personally, I was able to watch some ringing sessions in Garajau. Another highlight was meeting volunteers from so many parts of the world and sharing with them moments of socializing, such as the gathering at Santa Catarina Park.

To conclude this text, I want to say that I loved the internship experience at SPEA Madeira. My favorite parts were, without a doubt, the fieldwork, both in awareness-raising and in the campaigns, and I take with me good memories, new friendships, and much more knowledge about this magnificent group of seabirds. See you next time, SPEA Madeira.




quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Adeus SPEA! 🪶

Candidatei-me a este estágio na SPEA através de uma recomendação, acreditando que esta experiência combinaria comigo. No início, não imaginava o impacto que aquela sugestão viria a ter, mas rapidamente percebi que este estágio seria muito mais do que uma simples aprendizagem profissional e técnica: seria também uma aproximação profunda e pessoal ao trabalho da conservação e uma nova forma de me ligar à ilha onde cresci.

As minhas principais tarefas incluíram a realização de campanhas de sensibilização ambiental sobre a poluição luminosa e o apoio às campanhas de resgate noturnas, tanto da freira-da-madeira como da cagarra. Tive ainda a oportunidade, ocasionalmente, de participar nas anilhagens de juvenis de cagarra: uma experiência que me marcou profundamente. Foi precisamente na minha primeira saída de campo que vivi o momento mais memorável destes dois meses.

Ao segurar e observar pela primeira vez um juvenil de cagarra, senti um misto difícil de descrever entre nervosismo, entusiasmo e admiração. Nesse instante, compreendi verdadeiramente a importância e a responsabilidade inerentes ao trabalho da conservação daquelas aves tão místicas. O trabalho de sensibilização também me marcou. A divulgação que realizamos nas empresas e estabelecimentos nem sempre foi recebida da melhor forma, mas esse desafio mostrou-me a importância de comunicar de forma clara e empática, para que fosse possível reduzir a poluição luminosa precisamente na “raiz” do problema.

A equipa da SPEA e os voluntários que conheci tornaram esta experiência ainda mais positiva e especial. Aprendi muito, diverti-me e saí com ótimas memórias que guardo com carinho. No futuro, espero poder voltar a colaborar com os projetos da SPEA, levando comigo tudo o que aprendi ao longo deste estágio. Até já!