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segunda-feira, 5 de julho de 2021

Extinções de aves na Ilha da Madeira

Categorias da Lista Vermelha da UICN.

A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN) é atualmente o sistema mais usado para classificar espécies segundo o seu risco de extinção. Esta lista é apelidada de “barômetro da vida”, pois é um rico sumário de informações sobre as ameaças às espécies, seus requisitos ecológicos, onde vivem e informações sobre ações de conservação que podem ser tomadas para reduzir seu risco de extinção. A categoria a que cada taxon pertence é analisada de acordo com o tamanho e tendência populacional ao longo do tempo, os tipos de habitats, os tipos de ameaças e a sua distribuição geográfica.

A BirdLife International é um dos principais grupos conselheiros no âmbito do Comité de Sobrevivência das Espécies, Species Survival Commission (SSC), responsável pela totalidade da classe Aves, que conta mais de 11,000 espécies. Segundo o site do UICN, há cerca de 14% de aves ameaçadas de apenas 28% de todas as espécies estudadas.

14% das espécies de aves do mundo (uma em cada oito) encontram-se ameaçadas!

No Arquipélago da Madeira, a freira-da-madeira (Pterodroma madeira) é considerada em perigo (EN), e a freira-do-bugio (Pterodroma deserta) está classificada como vulnerável (VU). O bis-bis e o pombo-trocaz/pombo-da-madeira estão ambos classificados como pouco preocupante (LC).

 


Bis-bis (Regulus madeirensis).
A intervenção humana tem influenciado marcadamente a ecologia dos ecossistemas insulares de variadas formas, sendo uma das influências mais profundas a extinção de numerosas espécies. Tal como se registou para outros grupos taxonómicos, o número de extinções de vertebrados registadas a partir do ano de 1600 tem sido mais assinalável em ilhas, com uma taxa de extinção que já atingiu os 95% para os répteis, 85% para as aves, e 58% para os mamíferos (Whittaker 1998).

Columba palumbus maderensis.
Sabia que na Madeira já se extinguiu uma subespécie endémica de pombo?

Columba palumbus maderensis, conhecido como pombo-torcaz-da-madeira, é uma subespécie endémica da Madeira. Esta foi descrita em 1904 por Tschusi, após ter sido enviado para este um espécime macho, colhido pelo Padre Ernesto Schmitz (1845-1922) a 31/01/1904. Desde 1906, este holótipo encontra-se no Museu de História Natural de Viena, Áustria. Está descrito como sendo muito semelhante ao seu congénere europeu, pombo-torcaz (Columba palumbus), diferindo apenas por ser ligeiramente mais escuro e possuir a mancha púrpura no peito mais extensa.

O ornitólogo Ernst Johann Schmitz (também conhecido na Madeira por Ernesto João Schmitz), que viveu na ilha da Madeira entre 1879 e 1908, quando esta ave já era rara, conseguiu, após grandes esforços, recolher apenas alguns espécimes e ovos. Desde 1924 não é avistado nenhum indivíduo desta espécie, tendo sido considerada como extinta em 1994.

Outro exemplo é a provável extinção local do pombo-trocaz ou pombo-da-madeira (Columba trocaz), na ilha de Porto Santo. Este é um animal corpulento e de hábitos gregários, sendo uma das três espécies endémicas de pombo da Macaronésia. O pombo-trocaz apenas existe na ilha da Madeira, mais propriamente na floresta laurissilva, alimentando-se de bagas de til. Nos últimos anos, tem vindo a aumentar a sua área de dispersão, alimentando-se de produções agrícolas e fazendo alguns estragos consideráveis.

Pombo-trocaz (Columba trocaz).
Em 1986, o pombo-trocaz foi considerado “espécie vulnerável” pela UICN e incluído na Diretiva Aves da comunidade europeia, passando a ser proibida a sua caça, que era praticada desde o início da colonização, no século XV. Em 2009, a espécie passou a “não ameaçada”, mantendo o estatuto de “protegida”, momento a partir do qual cresceu e ultrapassou os limites da floresta laurissilva (cerca de 1/5 da área da Madeira). Atualmente estimam que existam cerca de 12.000 a 15.000 indivíduos.

Para minimizar os prejuízos agrícolas, o Governo Regional facultou aos agricultores três tipos de dispositivos – espanta-pássaros a gás, redes de exclusão e fitas holográficas -, mas revelaram-se insuficientes e, por isso, foi autorizado o abate também por caçadores.

É inconcebível autorizar centenas de caçadores para abater uma espécie endémica e protegida, provavelmente sem qualquer controle sobre quantos estão a ser abatidos. A longo prazo isto pode ter efeitos destrutivos na população.

Voltando atrás no tempo... Na Madeira já houve outras aves que se especiaram em novas espécies, mas que, uma vez mais, extinguiram-se devido ao Homem.

Foi publicado na revista Zootaxa, em 2015, um artigo em que se descrevem cinco novas espécies de aves extintas nos Açores e Madeira, presumivelmente no século XV.

Todas estas espécies são mais pequenas do que o seu presumível antepassado: o Frango-d'água Europeu (Rallus aquaticus). Esta é uma ave migratória que pertence à família Rallidae, tratando-se de um grupo muito conhecido por ter colonizado várias ilhas ao longo da evolução. Pensa-se que cerca de 2000 espécies de Rallidae endémicas de ilhas já foram extintas com a chegada do Homem.

Duas destas espécies novas ocorreram na Madeira e no Porto Santo. Nos Açores, seis ilhas foram investigadas em termos paleontológicos e em todas elas foram encontrados fósseis, no entanto apenas foi possível descrever três novas espécies nas ilhas do Pico, de São Miguel e de São Jorge.


Concluindo, as ilhas são um hotspot de biodiversidade, onde se originaram inúmeras subespécies, espécies e até géneros novos para a ciência. Muitos deles não chegaram a ser conhecidos, e atualmente são poucos os que conhecemos. Muitos estão cingidos a uma determinada região, como por exemplo a freira-da-madeira e a freira-do-bugio, o que as tornam ainda mais vulneráveis. Havendo derrocadas, incêndios, envenenamentos, predações, ou tudo num só, pode levar à extinção estas emblemáticas aves, sendo imperativo a sua conservação.


sexta-feira, 7 de maio de 2021

Aves Migratórias no Arquipélago da Madeira

No início de março de 2021, a Madeira e Porto Santo receberam alguns visitantes inesperados devido aos fortes ventos de leste. Algumas aves migradoras visitaram o nosso arquipélago para repousar por uns dias, e depois voltar à sua rota migratória após dias de muito vento que afetaram as suas rotas habituais. Anualmente, pela altura da primavera e outono, dá-se a migração de muitas espécies de aves. Os mais curiosos, e com sorte de estar no lugar certo à hora certa, conseguem observar e até fotografar estas aves.

Foram vários os registos de aves de rapina como a coruja-do-nabal (Asio flammeus), a águia-sapeira ou tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus), a águia-caçadeira ou tartaranhão-caçador (Circus pygargus), o tartaranhão-rabilongo (Circus macrourus), o milhafre-preto (Milvus migrans) e o falcão-peregrino (Falco peregrinus).

Tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus), coruja-do-nabal (Asio flammeus) e tartaranhão-rabilongo (Circus macrourus)

 

As andorinhas foram observadas em bandos, a andorinha-dáurica (Cecropis daurica), a andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica), a andorinha-dos-beirais (Delichon urbicum) e andorinha-das-barreiras (Riparia riparia). Também foi observado o andorinhão-real (Apus melba).

Andorinha-dáurica (Cecropis daurica) e andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica). Foto por: Henrique Lino (Porto Santo)

Houve ainda outros tipos de aves como o pintarroxo-comum (Linaria canabina), a felosa-musical (Phylloscopus trochilus), o picanço-barreteiro (Lanius senator), o pardal-francês (Petronia petronia), o trigueirão (Emberiza calandra), o abelharuco (Merops apiaster) e algumas limícolas como o fuselo (Limosa lapponica) e o borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula).


Pardal-francês (Petronia petronia) e borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula)

Ocorrem outras aves que surgem esporadicamente durante todo o ano, principalmente em sítios propícios como a Ponta de São Lourenço, a Ponta do Pargo e o Porto Santo.


🎧A nossa coordenadora da Spea Madeira, Cátia Gouveia, foi convidada a falar na Antena 1 Madeira sobre o assunto. Oiça aqui.

 

De recordar que, no nosso arquipélago, as espécies de rapinas nidificantes são quatro:

🐦 o fura-bardos (Accipiter nisus granti)

🐦 a manta (Buteo buteo harterti)

🐦 o francelho (Falco tinnunculus)

🐦 e a coruja-das-torres (Tyto alba schmitzi) - sendo esta a única rapina noturna



E não temos andorinhas nidificantes, mas sim andorinhões:

 🐦o andorinhão-da-serra (Apus unicolor) – endémico da Macaronésia

 🐦o andorinhão-pálido ou andorinhão-do-mar (Apus pallidus)


Andorinhão-da-serra (Apus unicolor)

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Nova estagiária na SPEA Madeira

 Estagiar na SPEA durante um ano? Perfeito!

Sou a Elisa Teixeira e estou de momento a estagiar na SPEA no âmbito do programa ProJovem.  Estarei a reforçar os trabalhos da SPEA Madeira na vertente terrestre e na área da comunicação. 🦉

Já conto com alguma experiência na área da conservação, tendo participado em diversos projetos de monitorização de aves e também de insetos na Ilha da Madeira. Realizei o meu estágio profissional no IFCN após terminar a licenciatura em Biologia pela Universidade da Madeira.

A minha vocação enquadra-se na área dos insetos e das aves, tendo uma coleção de penas e de insetos em casa! Tudo começou quando era criança e fazia criação de borboletas. E ainda continuo. Sempre gostei de animais, sendo que também tenho o curso de auxiliar de veterinária. Também gosto de fotografar, sendo que tenho uma página no Facebook onde partilho fotos de artrópodes! Podes visitar em https://www.facebook.com/artropodesmadeira/.

Para além de ser amante da natureza, também gosto de música, onde já compus alguns temas. Faço também parte de um grupo de folclore (Grupo de Folclore da Casa do Povo de Gaula) e da tuna feminina da Universidade da Madeira (Tuna D’Elas). Adoro aprender novos instrumentos e o meu género musical favorito é o metal.

Estou muito orgulhosa de fazer parte desta equipa e de poder contribuir para a conservação da fauna e flora que têm tanto valor para a nossa ilha.

 



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Importância da agricultura para aves

Monocultivo de bananeras em Canárias.
Os sistemas agrícolas tradicionais tem um alto valor biológico em muitas regiões do mundo e como resultado de miles de anos de expansão agrícola, a preservação dum grande número de espécies depende hoje de terras dedicadas na Produção de alimentos. Porém, durante as últimas décadas, os câmbios socioeconómicos e o desenvolvimento tecnológico da agricultura ter feito uma forte pressão sobre estos sistemas, genreando uma grave ameaça para as espécies que os ocupam devido a um processo a grande escala de intensificação e abandono.

De acordo com dados do Esquema Pan-Europeu de Monitorização de Aves Comuns, as aves de zonas agrícolas constituem na atualidade um dos grupos de aves mais ameaçados na Europa, atingindo o nível mais baixo desde 1980, com uma redução na ordem dos 48%.

Os ecossistemas agrícolas resultam da transformação de um sistema natural preexistente. Resultam principalmente da floresta primitiva, mas também da drenagem de zonas húmidas.
As comunidades de aves destes sistemas são constituídas por um pequeno número de espécie típicas das parcelas agrícolas, normalmente muito abundantes, e por uma percentagem variável de espécies com origem no sistema primitivo, normalmente menos abundante. Estas últimas acorrem em estruturas reminiscentes do habitat primitivo existindo nos mosaicos agrícolas como as sebe, linhas de árvore, bosquetes, charcas, canais e ribeiras.
Os sistemas agrícolas fornecem quatro fontes principais de alimento para as aves: invertebrados, partes vegetativas das plantas, sementes e frutos. A maioria das espécies de aves destes sistemas apresenta uma dieta mista ou variável.

Quase todas as espécies granívoras alimentam os seus juvenis com invertebrados durante a Primavera e Verão e as espécies insectívoras durante a maior parte do ano, alimentam-se de frutos durante o Outono. A disponibilidade de alimento é claramente sazonal e é fortemente influenciada pelos trabalhos agrícolas. Deste modo, também as diferenças regionais e a evolução das práticas e métodos de cultivo afeta a disponibilidade de alimento para as aves e as espécies dependentes de habitats agrícolas são obrigadas a deslocações permanentes em busca de alimento, muitas vezes efémeros.
Nidificar em habitats agrícolas também não é fácil. Os ninhos encontram-se no solo, ou muito perto do solo, e relativamente desprotegidos, sendo muito vulneráveis à predação por cães, gatos e animais selvagens. Os ninhos são também muito vulneráveis à destruição pelos trabalhos agrícolas e pelo pisoteio do gado.
Estes fatores tornam as aves dos meios agrícolas e pastoris particularmente vulneráveis e dependentes da atividades do agricultor.


Cultivos abandonados.

Problemas meio ambientais
Os ecossistemas agrícolas representam a maior parte da superfície de Europa, e são muito importantes para a conservação do património natural. Os problemas ambientais passam por situações muito graves de erosão salinização, contaminação de solos e aquíferos, e de perde acelerada de biodiversidade causada pelo favorecimento das monoculturas, em detrimento das rotações tradicionais, e o arranque das sebes e bosque, o crescente uso de sistemas mecanizados no campo, o uso de pesticidas e fertilizantes, o aumento de tamanho das parcelas e de monocultivos.
Com isto, populações de aves dependentes dos sistemas agrícolas enfrentam um decréscimo populacional médio de 30% desde de 1980.

Até o final do seculo passado a Política Agrícola Comum (PAC) favorecia exclusivamente a agricultura intensiva, com recurso a elevadas quantidades de água, de adubos inorgânicos e de fito fármacos. Dezenas de anos de agricultura intensiva originaram problemas na qualidade dos produtos alimentares e na qualidade do ambiente nos meios rurais, em muitas regiões da União Europeia.
Paisagem agrícola das Canarias
Agora, na segunda metade do seculo XX, quando a economias de Canarias cambiara a um modelo basado no turismo, estos valiosos sistemas, devido a sua falta de rentabilidade, estão sofrendo processos tanto de intensificação como de abandono, com a consequente perdida de qualidade como habitat e a descenso das populações de aves ligadas a estos ambientes.

Por isso, as políticas ambientais tem de orientar-se para contribuir ao mantimento dos agro-sistemas de maior valor e ao fomento de práticas agrarias compatíveis com la conservação da biodiversidade.
Se os impactos negativos de estos processos não são atendidos a tempo, os sistemas agrícolas serão reduzidos e sofrerão um maior deterioro, incrementado o número de espécie ameaçadas. Na atualidade, o 80% de espécies que dependem de estos ambientes na Europa apresentam um estado de conservação desfavorável.



A capacidade de frenar e reverter os efeitos na biodiversidade dos sistemas agrícolas dependerá das políticas da União Europeia, dos estados, as demandas dos mercados e do câmbio de mentalidade nas pessoas e suas ações. 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO DO TURISMO DE NATUREZA E ORNITOLÓGICO EM CANÁRIAS

Origem: Turismo de massas como modelo económico

Maspalomas, Gran Canarias, nos anos 60 quando comenza
a construçãode hoteís para o turismo de massas.
Na década de 50 decorre o auge do turismo nas Canárias. Atraídos pelo ótimo clima das ilhas – 25 graus em média por ano – os primeiros turistas do norte de Europa chegam às praias de Gran Canaria e Tenerife. A economia canária, baseada na agricultura e na agropecuária, transforma-se rapidamente numa economia de bens e serviços, com a sua principal força no turismo de massas, habitualmente chamado “turismo de sol e praia”.
A construção de hotéis e blocos de apartamentos cresceram ao mesmo tempo que aumentou o número de turistas alemãs, ingleses e escandinavos. Tinha surgido um novo mercado para operar e o capital nacional e estrangeiro investiu muito dinheiro em empreendimentos hoteleiros. Esta construção realizou-se sem pensar no impacto ambiental e causou um grande dano nos ecossistemas das ilhas, sobretudo nas zonas costeiras.
Nos últimos anos a demanda tornou-se mais complexa, diversificando as suas preferências entre os novos modelos de turismo alternativo, longe das áreas massificadas, como o turismo de natureza. A mentalidade do turista tem evoluído e adquirido uma consciência ambiental.   
As reservas naturais têm um 40% de extensão nas Ilhas Canárias, assim como 4 parques nacionais, entre os que destaca o Parque Nacional de Garajonay, na Gomera, Património de la humanidade reconhecido pela UNESCO, 145 reservas naturais e 7 reservas da biosfera nas ilhas de Lanzarote, El Hierro y La Palma.

Parque Natural de Garajonay, A Gomera.
A Macaronésia tem recursos naturais e uma biodiversidade única no mundo. Bosques milenares de Laurissilva, vulcões, praias paradisíacas, falésias vertiginosas, lindas paisagens submarinas e milhares de espécies endémicas compõem um valioso ecossistema que atrai investigadores e aficionados aos arquipélagos formados por Canárias, Cabo Verde, Madeira e Açores. Estes continentes em miniatura são o lugar ideal para desenvolver o turismo da natureza.






Breve história da ornitologia das Canarias

Canárias tem 6 espécies e umas 30 subespécies endémicas de aves. Além umas 100 aves visitam as ilhas de forma regular o esporadicamente. Este singular ecossistema faz que o turismo ornitológico e a observação de aves seja um dos pontos fortes do turismo da natureza. Muitos ornitólogos e amantes das aves veiem para observar-lhas, estudar-lhas e tentar fotografar-lhas. As seis aves endémicas das Canárias são: Paloma Raviche, Paloma Turqué, Reyezuelo Canario, Mosquitero Canario, Pinzón Azul y Taravilla Canaria.

Pinzón Azul, uma das seis aves endémicas de Canarias.
Nas cronicas da conquista nas Canarias pode-se ler comentários e citas dos conquistadores sobre as novas aves que encontravam no arquipélago. Apos, já no seculo XVIII surgem as primeiras publicações e investigações escritas por ornitólogos que viajam desde Europa para estudar as novas espécies.

Em 1842 se descreve por primeira vez o Pinzón Azul em “Ornitholohie Canarienne”, além de 108 espécies. A visita do Dr. Carl August Bolle as ilhas é importante já que com as suas observações fue o primeiro em reconhecer as dois especies de pombo da Laurissilva: O pombo turqué e o pombo rebiche. Já no seculo XX Henry E. Harris publica as primeiras fotos de aves de Canarias.
Os pioneiros na observação de aves foram estes investigadores, a maioria estrangeiros, que impulsaram la descrição de espécies e subespécies. As intensas coletas de exemplares e ovos daria pé na extinção de espécies como o ostrero canario, a princípios do seculo XX.

Nos anos 60 com muito material sobre avifauna feito foi gerando interesse pela avifauna entre a população local e os investigadores das universidades canarias empezam a desenvolver seus estúdios assim como interessantes estúdios sobre aves migratórias e o origem e evolução da avifauna canaria.
A criação um Escritório Canário da Delegação Espanhola de Ornitologia (SEO Birdlife) em 1993 ter permitido fomentar o hobby pelas aves e desenvolver ações de conservação.



Turismo de natureza: presente e futuro

Apesar de que o turismo de massas tem um predomínio absoluto hoje em dia, empresários e hoteleiros ter diversificado sua oferta para atender a demanda deste novo tipo de turista. O turismo da natureza é uma indústria limpa, sustentável com o meio ambiente e uma aposta segura para um futuro melhor. Estas novas atividades criam uma relação mais cercana entre o turista, o trabalhador e seu entorno. Alem disso, o ecoturismo e uma oportunidade para desenvolver as áreas rurais com atividades como caminhadas e desenvolvendo uma rede de hóstias e posadas para que os turistas podam ficar e sejam mais acessíveis estas zonas das ilhas.

Os deportes praticados na natureza têm uma localização ideal nas Canárias. As praias são perfeitas para os deportes aquáticos como surf, windsurf ou submariníssimo. Quando o inverno no norte de Europa faz desconfortável estar na rua devido as baixas temperaturas, muitas federações desportivas viajam para as Canárias a fazer seus treinamentos. Acreditadas pelo seu clima e sua geografia realizam-se todos os anos atividades desportivas como o Mundial Internacional de Windsurf de Fuerteventura, o Torneo Internacional de Futebol de Maspalomas ou a Transvulcania, uma maratóm da ilha da Palma. Escalada, ciclismo e trails são outros desportos que atraem aos turistas a Canárias.
1º Fase do Mundial de Windsurf de Fuerteventura.

O ecossistema das Canárias, junto com o resto da Macaronésia é único no mundo y tem que ser aproveitado criando uma solida estratégia conjunta de turismo de natureza sustentável. Têm aqui um importante papel o turismo de observação de aves e suas habitats naturais, os bosques de Laurissilva. Os hotéis e empresas turísticas já estão formando guias e oferecem tours pelos locais onde pode-se observar estas espécies para satisfazer as demandas dos amantes da natureza.As férias de ganadaria e alimentação ainda têm um importante papel na hora de desenvolver uma estratégia de turismo de natureza e desenvolvimento das economias rurais.
Mapa de Espanha da Rede Natura 2000.

Desde a União Europeia tem apojado estas novas politicas pondo em marcha projetos de proteção do meio ambiente como os projetos LIFE, Erasmus + (projeto STARS) o Macaroaves a traves de diversas ações de proteção do meio ambiente e formação ambiental da indústria hoteleira e a população em geral. Estas ajudas são indispensável para a criação duma rede de parques naturais e áreas protegidas que ajudem na conservação dos ecossistemas canários e da Macaronésia.

Já há varias estratégias em marcha, como a Rede Natura 2000 que tem como fim estabelecer um sistema de gestão sustentável de turismo de natureza de estos espácios e a implantação dum modelo que garantisse o valor da biodiversidade como fonte de ingressos e criação de emprego, ao mesmo tempo que assegure a conservação frente a estas atividades.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A semana das comemorações

Esta semana foi uma semana muito espécial para a SPEA e os amadores da natureza e a ciência em geral. Esta semana junta várias datas muito espéciais para nós. Começamos a semana com a comemoração do dia da Floresta Autoctona no dia 23 de novembro, a seguir o dia 24 de novembro temos o dia internacional da ciência e já para terminar o dia 25 comemoramos o anniversário da SPEA. Semana de comemorações que nos fazem lembrar mais ainda a importância de trabalhar e servir à natureza. Para além, é de marcar a natureza madeirense e o reconocimento que esta semana poder ter para as nossas ilhas. 


Para começar, relembramos a nossa floresta: 


Dia 23 de novembro - Dia da Floresta Autóctone

Tão importante é a nossa floresta como tantas outras do mundo. As plantas permitem-nos respirar e termos oxigenio para nos dar a vida. Já seja a laurissilva como o bosque atlántico, a floresta autóctone e todas as espécies que lá vivem é a nossa prioridade a conservar. O que conservamos? Conservamos o que conhecemos e amamos. 

O primeiro que podemos fazer é conhecer o nosso ambiente, desejar voar e conhecer outros mundos se faz melhor quando percebemos o nosso ambiente mais perto, a nossa floresta autoctona e a nossa biodiversidade. 

Comecemos pelo mais pequenino e mais próximo, conservemos aquelo que temos e depois fiquemos com aquela curiosidade para conhecer, amar e conservar aquelo doutro lado do mundo. 

Fiquemos com o sossiego de saber que há alguém trabalhando para conservar as nossas florestas autóctonas e ajudemo-lhes a fazê-o o melhor possível com a colaborção de todos. 



Dia 24 de novembro -Dia Internacional da Ciência

Esta semana também comemoramos o dia da Ciência. O que seriamos sem ciência, sem avances, sem investigação? Não tiveramos a vida que temos. A ciência permite-nos avanzar, permite-nos conhecer e valorizar. A biologia da conservação também é ciência, também é avance e também precissa de investimento. Desde a minha visão de voluntária percebo o importante que é o voluntáriado para a conservação mas não esqueçamos que este trabalho precissa de dedicação, de investimento e de colaboração de tudos nós. 

Que seria falar de biologia da conservação, biologia evolutiva e biodiversidade senão falarmos dum grande naturista e promovedor da biologia moderna, o senhor Charles Darwin quem um dia como hoje publicou uma excelente obra esclarecedora sobre os nossos origens, "O origem das espécies". Com esta grande obra percebemos as ligações que existem entre as espécies, como evoluieram até chegar a aparecer outras novas, e comprender a importância de cada uma delas no mundo. Esta revelação foi devido a suas grandes viagens ao longo do mundo, parando também nas ilhas da Macarónesia. 

Tal foi aquela revelação que ainda hoje segue confirmada a teoria da evolução, muitos biologos e naturistas posteriores dieram o seu contributo melhorando-a em alguns aspetos mas continua como o dogma da biologia. Lembramos do Charles Darwin a falar da evolução e das espécies mas não esqueçamos que para ele chegar até esta conclusão tivemos muitos outros conhecedores da natureza e da ciência em geral, deixo aqui alguns cientistas considerados importantes para mim neste mundo da biologia e a conservação da biodiversidade: 

Linneo, Lamarck, Alexander Von Humboldt, Wallace, Robert Hooke, Mendel, Cuvier, Lyell,....entre outros que fizeram possível a chegada de todo o conhecimento que temos atualmente. 

Agora nós temos o seu testigo para seguir no caminho do conhecimento...faremos o melhor possível. 


Dia 25 de novembro - ANIVERSÁRIO DA SPEA


O dia de ontem a SPEA fez anos, já são muitos anos dedicados à conservação das aves e de seus hábitats. Muitos projetos, muitas pessoas, muitos voluntários tem tido um lugar nesta ONG. Muitas coisas foram feitas e sempre com os objetivos fixos de conhecer mais para conservar melhor. O dia 25 a SPEA fez 22 anos, dejamos tudo de bom para ela e o sua equipa e muitos mais anos de vida com aquela vontade e gosto pela natureza. A equipa SPEA tem muitas pessoas atras, o trabalho não seria possível senão tiveramos o apoio de tanta gente que ajuda-nos, dos sócios, dos voluntários, dos colaboradores ocasionais, das entidades. A conservação da natureza não seria possível sem ajuda de todos. A natureza e as aves agradecem o vosso trabalho, assim como todos os que reconhecemos o trabalho bem feito e dedicado. Obrigada mais uma vez por deixar formar parte da família SPEA por un ano e dar o meu contributo à conservação da natureza. 

MUITOS PARABÉNS E TUDO DE BOM, SPEA!