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| Equipa atual da SPEA Madeira |
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Utilização de um burrowscope para ver o interior do ninho.
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Desde o início de julho de 2021,
a nossa equipa SPEA Madeira tem ido ao campo prospetar ninhos de cagarra (Calonectris borealis)!
Numa
colónia conhecida e isolada junto à costa, temos feito esforços para encontrar ninhos com indícios
de ocupação, ou seja, com penas ou fezes, e ninhos ocupados com aves
adultas (casal) e com ovo. Alguns ninhos estão em zonas de difícil acesso, e
requerem o uso de um burrowscope para ver o interior do ninho por serem demasiado fundos.
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| Local da prospeção de ninhos de cagarra. |
A cagarra é a ave marinha de
maior porte e de maior população no arquipélago da Madeira. Na ilha da Madeira,
possui pequenas colónias fragmentadas. Esta colónia
escolhida tem vindo a ser estudada nos últimos anos. Em 2018 tinha 24 ninhos potenciais, dos quais 8 estavam
ocupados. Este mês de julho, a nossa equipa encontrou mais de 30 ninhos potenciais, alguns com indícios
de presença, e 10 ocupados e com ovo.
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| Ave adulta no ninho. |
A cagarra faz o ninho em
cavidades naturais, como fendas nas rochas ou sob amontoados de pedras, ou
podem ser escavados no solo. Põem apenas um ovo, e ambos os progenitores cuidam
da cria, fazendo muitas vezes longas viagens pelo mar, em busca de alimento.
Apesar de viver mais de 30 anos, o facto de pôr apenas um ovo e de levarem
tanto tempo a atingir a idade reprodutora faz com que a espécie seja muito
vulnerável a ameaças como a predação por espécies invasoras, as capturas acidentais
na pesca, a perda de habitat, caça ilegal e, claro, a poluição luminosa.
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| Régua, luvas e craveira: alguns dos materiais indispensáveis. |
Pretendemos anilhar, recolher
dados biométricos e instalar um GPS logger em cada ave adulta que tiver ovo.
Dessa forma, em agosto, serão recolhidos os loggers pois os adultos regressarão de forma recorrente ao ninho para alimentar a cria, e reduz o risco de ser perdido o material.
Os dados recolhidos dos loggers permitirão obter mais informação sobre o
percurso que a cagarra faz ao longo da costa, desde o ninho ao mar e vice-versa,
o que permite reconhecer os efeitos que a luz artificial noturna possa causar
às aves marinhas.
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| Medição de ovo. |
Os dados biométricos recolhidos
são o peso da ave, o tamanho das asas, do bico e dos tarsos, utilizando uma régua para as asas e uma craveira. A ave é pesada dentro do saco utilizando uma balança portátil com um gancho. Nos ninhos
acessíveis, também medimos a altura e largura do ovo. Os ninhos foram também
medidos.
Este trabalho é no âmbito do projeto
INTERREG MAC Energy Efficiency Laboratories (EELabs). A ilha da Madeira alberga
o seu primeiro laboratório de poluição luminosa, o terceiro implementado no
âmbito do projeto. Astrónomos do Instituto de Astrofísica de Canárias e
técnicos da SPEA Madeira instalaram os primeiros fotómetros na zona Este da
ilha da Madeira (Santa Cruz, Machico e Santana), cujos dados recolhidos,
juntamente com o seguimento GPS de adultos de cagarra, vão permitir identificar
as áreas mais problemáticas para as aves marinhas em relação à poluição
luminosa na ilha, permitindo priorizar locais que necessitem de alterações na
iluminação.
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| Retirada de um adulto do ninho utilizando as luvas e um saco. |
Este projeto, que decorre na
Madeira, Açores e Canárias, assenta no desenvolvimento e instalação de uma rede
de fotómetros autónomos – pequenos aparelhos que vão mapear a poluição luminosa
e medir o impacto da luz artificial noturna sobre a biodiversidade. Serão
instalados trinta equipamentos na zona Este da Madeira, que se juntarão a mais
de uma centena, já implementados nas ilhas de Gran Canaria, Tenerife e Corvo.
Um desses fotómetros será instalado no local da colónia de cagarras que estamos a prospetar.
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| Recolha de dados biométricos. |
As aves marinhas, devido aos seus
olhos sensíveis, ficam desorientadas e são vítimas de encadeamento ao saírem
dos seus ninhos. Isso pode fazer com que colidam com infraestruturas, sejam
atropeladas, se tornem presas de cães e gatos ou até morram de desidratação.
Por esta razão, a SPEA relembra a importância da adoção de iluminação pública
adequada, levando em consideração a eficiência energética, mas também o impacto
na biodiversidade.
Este é o terceiro projeto na
região dedicado exclusivamente à avaliação da poluição luminosa, após o projeto
Mac 2014-2020 LuminAves (Poluição Luminosa e Conservação nos Arquipélagos da
Macaronésia - Redução dos efeitos Nocivos da Luz artificial sobre as Populações
de Aves Marinhas) e o projeto LIFE4Best Seabirds Macaronesian Sounds (SMS).