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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO DO TURISMO DE NATUREZA E ORNITOLÓGICO EM CANÁRIAS

Origem: Turismo de massas como modelo económico

Maspalomas, Gran Canarias, nos anos 60 quando comenza
a construçãode hoteís para o turismo de massas.
Na década de 50 decorre o auge do turismo nas Canárias. Atraídos pelo ótimo clima das ilhas – 25 graus em média por ano – os primeiros turistas do norte de Europa chegam às praias de Gran Canaria e Tenerife. A economia canária, baseada na agricultura e na agropecuária, transforma-se rapidamente numa economia de bens e serviços, com a sua principal força no turismo de massas, habitualmente chamado “turismo de sol e praia”.
A construção de hotéis e blocos de apartamentos cresceram ao mesmo tempo que aumentou o número de turistas alemãs, ingleses e escandinavos. Tinha surgido um novo mercado para operar e o capital nacional e estrangeiro investiu muito dinheiro em empreendimentos hoteleiros. Esta construção realizou-se sem pensar no impacto ambiental e causou um grande dano nos ecossistemas das ilhas, sobretudo nas zonas costeiras.
Nos últimos anos a demanda tornou-se mais complexa, diversificando as suas preferências entre os novos modelos de turismo alternativo, longe das áreas massificadas, como o turismo de natureza. A mentalidade do turista tem evoluído e adquirido uma consciência ambiental.   
As reservas naturais têm um 40% de extensão nas Ilhas Canárias, assim como 4 parques nacionais, entre os que destaca o Parque Nacional de Garajonay, na Gomera, Património de la humanidade reconhecido pela UNESCO, 145 reservas naturais e 7 reservas da biosfera nas ilhas de Lanzarote, El Hierro y La Palma.

Parque Natural de Garajonay, A Gomera.
A Macaronésia tem recursos naturais e uma biodiversidade única no mundo. Bosques milenares de Laurissilva, vulcões, praias paradisíacas, falésias vertiginosas, lindas paisagens submarinas e milhares de espécies endémicas compõem um valioso ecossistema que atrai investigadores e aficionados aos arquipélagos formados por Canárias, Cabo Verde, Madeira e Açores. Estes continentes em miniatura são o lugar ideal para desenvolver o turismo da natureza.






Breve história da ornitologia das Canarias

Canárias tem 6 espécies e umas 30 subespécies endémicas de aves. Além umas 100 aves visitam as ilhas de forma regular o esporadicamente. Este singular ecossistema faz que o turismo ornitológico e a observação de aves seja um dos pontos fortes do turismo da natureza. Muitos ornitólogos e amantes das aves veiem para observar-lhas, estudar-lhas e tentar fotografar-lhas. As seis aves endémicas das Canárias são: Paloma Raviche, Paloma Turqué, Reyezuelo Canario, Mosquitero Canario, Pinzón Azul y Taravilla Canaria.

Pinzón Azul, uma das seis aves endémicas de Canarias.
Nas cronicas da conquista nas Canarias pode-se ler comentários e citas dos conquistadores sobre as novas aves que encontravam no arquipélago. Apos, já no seculo XVIII surgem as primeiras publicações e investigações escritas por ornitólogos que viajam desde Europa para estudar as novas espécies.

Em 1842 se descreve por primeira vez o Pinzón Azul em “Ornitholohie Canarienne”, além de 108 espécies. A visita do Dr. Carl August Bolle as ilhas é importante já que com as suas observações fue o primeiro em reconhecer as dois especies de pombo da Laurissilva: O pombo turqué e o pombo rebiche. Já no seculo XX Henry E. Harris publica as primeiras fotos de aves de Canarias.
Os pioneiros na observação de aves foram estes investigadores, a maioria estrangeiros, que impulsaram la descrição de espécies e subespécies. As intensas coletas de exemplares e ovos daria pé na extinção de espécies como o ostrero canario, a princípios do seculo XX.

Nos anos 60 com muito material sobre avifauna feito foi gerando interesse pela avifauna entre a população local e os investigadores das universidades canarias empezam a desenvolver seus estúdios assim como interessantes estúdios sobre aves migratórias e o origem e evolução da avifauna canaria.
A criação um Escritório Canário da Delegação Espanhola de Ornitologia (SEO Birdlife) em 1993 ter permitido fomentar o hobby pelas aves e desenvolver ações de conservação.



Turismo de natureza: presente e futuro

Apesar de que o turismo de massas tem um predomínio absoluto hoje em dia, empresários e hoteleiros ter diversificado sua oferta para atender a demanda deste novo tipo de turista. O turismo da natureza é uma indústria limpa, sustentável com o meio ambiente e uma aposta segura para um futuro melhor. Estas novas atividades criam uma relação mais cercana entre o turista, o trabalhador e seu entorno. Alem disso, o ecoturismo e uma oportunidade para desenvolver as áreas rurais com atividades como caminhadas e desenvolvendo uma rede de hóstias e posadas para que os turistas podam ficar e sejam mais acessíveis estas zonas das ilhas.

Os deportes praticados na natureza têm uma localização ideal nas Canárias. As praias são perfeitas para os deportes aquáticos como surf, windsurf ou submariníssimo. Quando o inverno no norte de Europa faz desconfortável estar na rua devido as baixas temperaturas, muitas federações desportivas viajam para as Canárias a fazer seus treinamentos. Acreditadas pelo seu clima e sua geografia realizam-se todos os anos atividades desportivas como o Mundial Internacional de Windsurf de Fuerteventura, o Torneo Internacional de Futebol de Maspalomas ou a Transvulcania, uma maratóm da ilha da Palma. Escalada, ciclismo e trails são outros desportos que atraem aos turistas a Canárias.
1º Fase do Mundial de Windsurf de Fuerteventura.

O ecossistema das Canárias, junto com o resto da Macaronésia é único no mundo y tem que ser aproveitado criando uma solida estratégia conjunta de turismo de natureza sustentável. Têm aqui um importante papel o turismo de observação de aves e suas habitats naturais, os bosques de Laurissilva. Os hotéis e empresas turísticas já estão formando guias e oferecem tours pelos locais onde pode-se observar estas espécies para satisfazer as demandas dos amantes da natureza.As férias de ganadaria e alimentação ainda têm um importante papel na hora de desenvolver uma estratégia de turismo de natureza e desenvolvimento das economias rurais.
Mapa de Espanha da Rede Natura 2000.

Desde a União Europeia tem apojado estas novas politicas pondo em marcha projetos de proteção do meio ambiente como os projetos LIFE, Erasmus + (projeto STARS) o Macaroaves a traves de diversas ações de proteção do meio ambiente e formação ambiental da indústria hoteleira e a população em geral. Estas ajudas são indispensável para a criação duma rede de parques naturais e áreas protegidas que ajudem na conservação dos ecossistemas canários e da Macaronésia.

Já há varias estratégias em marcha, como a Rede Natura 2000 que tem como fim estabelecer um sistema de gestão sustentável de turismo de natureza de estos espácios e a implantação dum modelo que garantisse o valor da biodiversidade como fonte de ingressos e criação de emprego, ao mesmo tempo que assegure a conservação frente a estas atividades.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

DÍA DE ESCRITÓRIO

Os dias de escritório são diferentes dos dias de campo. São mais relaxados e rotineiros. Mudas os bosques e montanhas da Madeira pela comodidade da cadeira, a mesa e o computador. Trocas da natureza para a realidade virtual da internet, documentos, fotos, etc.

A primeira tarefa do dia é atualizar o facebook e olhar o e-mail. Se não tenho nenhuma noticia de atualidade nem nada novo na newsletter, pois vou ter que procurar algo interessante na web.
Tenho que tentar organizar-me bem para que não se acumule o trabalho. Dito isto é melhor que crie uma pasta com as fotos da última saída de fura-bardos, antes de ir tomar café.

O café, um dos melhores momentos do dia, fonte de energia extra nas manhãs que o sono e o cansaço não permitem trabalhar bem. Também é tempo para conversar com as colegas, rir um bocado e carregar as pilhas para continuar o dia. Para terminar honestamente a breve descrição deste momento do dia é preciso nomear os deliciosos croissants de mel, os melhores da Macaronésia.

Escritorio da SPEA Madeira.
Ao voltar ao escritório, vou trabalhar com o que mais gosto, os cartazes e os convites. Ponho a trabalhar a criatividade e aprendo a usar os programas de desenho, servindo-me dos tutoriais do youtube se for preciso aprender novas ferramentas.

Assim chega a hora do almoço - horário português - às 13 horas aproximadamente. Toda a equipa se senta na mesa com os seus tupperwares e tentamos animar o momento com alguma conversa agradável. Mas agora vem o segundo café, que não é tão necessário como o primeiro.


Deste modo entramos na parte final do dia, procurando algumas fotos cá, publicando umas notícias no LIFE Fura-bardos lá. Antes de voltar para casa, fica uma coisa pendente… faz muito tempo que não atualizo o blogue! Na pré-formação do SVE disseram-me que tinha de prestar especial atenção ao blogue e escrever regularmente, porque quando finalizar o voluntariado poderei ver nele um reflexo de minha evolução, como se fosse um diário. Tentarei escrever artigos mais frequentemente.




OFFICE DAY

Office´s days are different to field´s days. It´s more relaxing and rutining. I change Madeira´s forests and mountains for a comfortable chair, table and computer. I change the nature for a virtual reality to internet, documents, photos, and so on.

First duty is update the Facebook and check my e-mail. If I don´t any current news or anything in the newsletters I´m going to find something interesting in the web. I have to be organized properly for it doesn´t accumulate the work. Told that, It´s better I create a paste with the last field work´s pictures before go to have a coffee.

A coffee, one of the bests times of the day. It´s an extra power source in the mornings in which I´m sleepy and tiredness not allow to work well. It´s also time to talk with my colleges, laugh a little bit and charge of power to go on the day. To end honestly the description of this time of the day it´s necessary named the delicious honey croissants, the bests of the Macaronesia.

To come back to the office I’m going to work with my favourite job, posters and invitations. It work my creativity mind and learn to use design programs, watching YouTube tutorials if was necessary learn new tools.

So it get lunch time – Portuguese time – at 13.00 around. All SPEA team sit down around the table with their Tupperware’s and we try to be a funny time with a nice talk. Then it come the second coffee, although isn´t as necessary as the first one.

That way, I go on in the end of the work day, searching some photos or publishing some news in the LIFE Sparrow hawk website. Before to come back home, there are something more to do… it´s a long time I haven´t wrote anything in the volunteer blog. In the EVS pre-formation the trainer said me would be fine I will pay attention to the blog and will write regularly, because when I finished my volunteer I will be able to see my evolution, like it was a diary. I´m going to try to write  too often.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Formação do Serviço de Voluntariado Europeu

Ribera do Douro. Ponte Luiz I


- Acho que vou indo para a estação.
- Mmm… Ok, muito bem.

Assim digo adeus a Judith, ela é a última pessoa do grupo com a qual tenho estado durante toda a semana. – Quantas boas vibrações e que fixe que ela é-. Dizemos-mos as frases típicas de dois espanhóis que estão no estrangeiro e fui a pé sozinho para o albergue.

Quando cheguei ao Porto pela primeira vez estava eufórico por estar numa das maiores cidades de Portugal y mais bonitas da Europa, porém nesse momento, a fadiga mental e a solidão depois de seis dias cheios de atividade, fizeram que precisasse chegar rápido ao albergue. As poucas horas de sono e o esforço de pensar em três línguas diferentes cansaram muito o meu cérebro.

- Desculpa, podes tirar-nos uma foto -. Pedem-me umas raparigas enquanto estou a cruzar a Praça da Liberdade.
- Claro que sim. Vocês são espanholas, certo?
-  Sim, somos de León. E tu?
- Eu sou das Canárias.

Seria engraçado que agora estivesse o Elias aqui. As brincadeiras e flertar com as meninas sem parar. Grande rapaz! Antes pensava que não parava de falar e agora tenho saudade dele.

- Pronto! Até logo-. E continuo caminhando.

 Chego ao albergue, reservo a ultima cama livre e vou dar um passeio pela Ribeira do Douro, aproveito também para escrever algumas ideias que rondam minha cabeça.

Epa! Duas gaivotas lutando por um copo de gelado vazio… certeza que a Anna apreciaria a cena divertida e interessante. 

Esta muito vento, é melhor voltar para o albergue antes que me voem as olhas. A cozinha é um bom lugar para escrever, no há muita gente e tem uma varanda desde onde posso ver a pôr-do-sol.

- Bem, por onde empezamos? Conhecimentos práticos, técnicas de aprendizagem, experiência vital, o que aprendi de mim próprio, o que aprendi das outras pessoas? Acho que levará meses escrever isto tudo, para além disso tenho muitas experiências e sensações que são difíceis de explicar.

Enquanto o sol está se pondo, os telhados do Porto van mudando a cor e as gaivotas voam de um lado para o outro. Entram na cozinha um grupo de meninas francesas que se sentam ao meu lado e começam a conversar. Têm um nível de inglês semelhante ao meu e são agradáveis e sorriem. Já estava costumado ao perfeito inglês de Theo e os seus olhares assassinos. Claro que, em seguida, com um sorriso ele corrigia tudo.

- Que rapaz tão raro acaba de entrar. Se o Claudio estivesse aqui só de olhar a expressão no rosto dele consigo descobrir os seus pensamentos, e não poderíamos parar de rir.  

- Ok, já esta! Definitivamente vou escrever sobre as pessoas que conheci durante a formação do SVE. Os conhecimentos e habilidades são importantes, mas sem estes companheiros não teria sido o mesmo. Além disso, era um dos objetivos do programa, o intercâmbio cultural e linguístico: Roménia, Espanha, França, Ucrânia, Itália e Peru para ser exatos.

Agora entra um grupo de espanhóis… bom, não vou falar assim pensam que sou estrangeiro e não me ligam. Já sei que isto não esta bem, deveria socializar-me um bocado, mas estou muito cansado, e no é fácil encontrar com facilidade uma boa conversa fluida, como costumava ter com a Bárbara.

As francesas vão sair de festa, parecem gostar tanto como os seus compatriotas a Cloe e a Cinthia, embora elas eram mais divertidas. Digo-lhes adeus num inglês muito mau - pois, não esta a Bianca aqui para me corrigir! - e saio da sala.

A verdade é que fomos um grupo bom, podias sentar-te a conversar com a Sonia, a Angie ou a Sona tranquilamente, ou desfrutar de uma tarde de reflexão com a Carolina. Não posso esquecer ao Bruno e a Sara, os melhores formadores que poderíamos ter tido.

As manhãs eram difíceis e o café era pior, mas se no pequeno-almoço encontrava a Joanna, com a sua bondade e seu sorriso, as manhãs eram um bocado melhores.

A noite é nova no Porto, há barulho nas ruas e as pessoas preparam-se para sair de festa. Eu preparo-me para ir à cama, pondo assim, o ponto e final a uma semana intensa e cansativa, mas gratificante.

Se Cosmin soubesse que prefiro ir dormir antes que sair de festa deixaria de ser o meu amigo, mas se ele tivesse cá com certeza que íamos à festa.



European Volunteer Service Formation

    -           I think i´m going to go running to the bus station.
    -          Mmm… ok, all right.

This way, I said good bye Judith, the last person in the group with which I have been all week. - That good feeling and energy she has-. We say farewell phrases typical form two spanish people who are abroad and start to walk alone.

When I got Porto first time I was so happy to be in one biggest cities from Portugal and one most beautiful from Europe, however, now the mental exhaustion and loneliness after 6 days filled with activity you need to get to fast to hostel. The few hours of sleep and the effort to think in three languages leave you exhausted.

-      Excuse me, Can you take a photo? - Two girls stop to me while I’m crossing the “Praça da Liberdade”.
-       Of course. You are from Spain. You aren´t?
-       Yes, we are from León, ha, ha ,ha, and you?
    -    I´m from Canary Islands.

Would be fun to be Elias here now. The jokes and the flirting will be a non-stop. That boy, he never stopped to talk and now I´m missing him.

    -     All right! See you -. And I keep walking.

I get to hostel, book the last bed available and I´m going to walking by Douro river´s shore for writing any ideas I have in my mind.

     -   Ey! Look at!! Two seagulls fighting over an empty ice cream glass. I´m sure Anna would know to appreciate the funny and interesting about this scene.

It´s very windy, I better come back to the hostel before my notes fly. The kitchen is a good place to write, not many people and it has a balcony from which you can watch the sunset.

              -   Well, where shall I start? Practical knowledge, what I learned about myself, life experience, what I have learned from others? I think it took months to write it all, above all, the feelings that are abstract and difficult to explain.

As the sunset going on, roofs Porto change color and seagulls are fliying everywhere, a group of French girls enter to the kitchen and they sit next to my and get to chat. They have an English level like mine and they are nice and smile. He was used to Theo perfect English and her killer looks. Of course whit a smile she fixed everything.

        -  What guy such strange just to enter! If Claudio was here, just to watch us each other we thought we are thinking each other and we wouldn´t stop laughing.

-          Ok, I have it. I definitely going to write about the people I met during the EVS training. Knowledge and skills are important, but without these fellows wouldn´t have been the same. Besides, it was one of the objectives of the program, linguistic and cultural exchange: Romania, Spain, France, Ukraine, Italy and Peru to be exact.

Now comes a Spanish group... well, I will not talk and so they think I'm foreign and leave me alone, they wouldn´t know much English. I know it is wrong, I should socialize a bit but I am very tired, and isn´t easy to find a nice conversation and flow easily, such as those used to have with Bárbara.

The French girls are going to go out to party; it seems to like it as much as their compatriots Cloe and Cinthia, although the last two they are more fun. I say goodbye to them, in very bad English ... of course! - Is not Bianca here to correct me!- and I leave the room.

We really were a great group; you can sit and chat to Sonia, Angie and Sona, or enjoy an afternoon of reflection with Carolina. I can´t forget Bruno and Sara, the best trainers who we ever could have.

Mornings were hard and the coffee worst, but if in the breakfast you met Joanna with her kindness and her smile you wore it a little better.

Night is young in Porto, There are bustle on the street and people are preparing to party. I prepare to go to bed, and thus put an end to an intense and exhausting but rewarding week.


If Cosmin knew I rather sleep before partying, He stops to be my friend, but on the other hand, if he was here I surely would party.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O acantilado das Almas Negras. A procura do pintainho no ilhéu do Farol


Tenho ficado com a Sandra e a Sole no Ilhéu do Farol (Ponta de São Lourenço, Madeira) durante 5 dias para começar a campanha do pintainho (Puffinus lherminieri) dentro do projeto LIFE Recover-Natura que coordina o Serviço do Parque Natural da Mareira (SPNM). O nosso trabalho, nesta fase do estudo, é pesquisar ninhos desta ave, ainda não confirmada a sua presença ou aninhamento neste ilhéu; mas dadas as características do local é possível que goste deste lugar.

Last month I travelled with Sandra and Sole to a little island called “Ilhéu do Farol” (Ponta de São Lourenço, Madeira) to stay 5 days on the project LIFE Recover-Natura  of Serviço do Parque Natural da Mareira (SPNM). Our work consists in to look for nests of a little seabird, the Audubon's Shearwater ou pintainho (Puffinus lherminieri) to confir their presence at this place which looks like its usual habitat. 

O pequeno embarcadouro
Chegamos num bote zodiac de manhã, com os vigilantes do SPNM. No desembarco há uma pequena plataforma numa baía ainda mais pequena, varrida pelas ondas. Até lá chegam umas escadas que serpenteiam pela ladeira, descendo desde o farol, no ponto mais alto do ilhéu. Após saltarmos a terra entre as ondas contínuas, conseguimos levar a terra todo a equipagem (mochilas, uma cozinha portátil, tenda de campismo, comida, água…) todos a correr pelo solo escorregadio para salvar o material do mar. E ao fim respiramos.

We arrive on a zodiac boat in the morning. To go ashore there is a little platform in a too little bay, with high waves. Here starts a stair which rises until the lighthouse, at the top of island. After unload the bags (a portable kitchen, the tent, the backpacks, food, water…) and move it to a safe space, through the slippery ground, we could breath.

As escadas ascendem pelo lado menos escarpado do ilhéu, conectando o pequeno “embarcadouro” com o farol. Mas a metade do ascenso há uma pequena casa ruinosa que foi o nosso melhor resguardo: dentro dela cabe a tenda e as nossas coisas, protegidas do vento omnipresente e da chuva prevista.


The stairs ascend at least cliff side of the islet, connecting the small "dock" with the lighthouse. But half the rise there is a small house ruinous that will be our best guard: we planned to plant inside the tent and our things, protected from the omnipresent wind and rain expected.

A pequena casa fica no lado mais resguardado do ilhéu

Quando tudo ficou pronto, olhei em volta e lembrei-me duma frase dum personagem de fantasía chamado El Jormaz de Saralham, quando visitou as Tombas do Vento: “Conheço esse vento. Faz-te sangrar primeiro, ensurdecer depois, e enlouquecer finalmente. Conheço esse vento.” Se calhar nos não vamos sangrar pelos ouvidos, mas é um vento constante de noroeste, com rajadas que fizeram-me perder o equilíbrio e cair ao chão; é aconselhável manter-se longe das bordas das encostas. Durante os dois primeiros dias tivemos ventos muito fortes, com nuvens cinzentas e chuvisco. Mas no terceiro dia tem amanhecido com o sol a brilhar sobre o mar e o vento mais calmo.

When everything was ready, I looked around and I remembered a sentence of a fantasy character called El Jormaz of Saralham, when he visited the tombs of the Wind, "I know this wind. Make yourself bleed first, deaf later, and finally go mad. I know this wind” Maybe we will not bleed through the ears, but it is a steady wind from the northwest, with gusts that made me lose my balance and fall to the ground.; it is advisable to keep away from the edges of cliffs. During the first few days we have had very strong winds, with gray clouds and drizzle. But on the third day has dawned with the sun shining on the sea and the wind calmer.

No primeiro dia, depois do almoço, fomos fazer um pouco de exploração. Sabíamos que havia um ponto complicado no acantilado que só pode ser cruzado em baixa-mar por um lugar escorregado, e trepar uma parede vulcânica com ajuda de cordas. Além disso, não podemos esquecer de voltar rápido para não ficar atrapadas naquele lugar por causa da maré cheia.

On the first day, after eating, we have gone to explore a little bit. We know that there is a delicate point in the cliffs that can only be crossed at low tide by a slippery place, and climb a volcanic wall with a rope. And we can’t forget to come back soon after to be catched in that place because of the high tide.



Terminei com os dedos cheios de feridas de trepar pelas ásperas rochas basálticas. As zonas perigosas pareciam ainda mais estéreis e selvagens. Ficamos ali sentadas uns minutos, a ver as grandes ondas a passar pelo canal entre o nosso ilhéu e o do Desembarcadouro, ao oeste. As ondas levantavam mais de dois metros e o vento despenteava-las, como uma cabeleira branca de espuma trás de se, iluminadas pela luz cor laranja do crepúsculo. Uma imagem de beleza sobrenatural.

Pelas noites fazíamos escutas, para tentar confirmar a presença do pintainho. Sentávamo-nos ao resguardo de uma das cavernas calcárias no topo do acantilado, ou na porta do farol, protegidas do vento, com as luzes apagadas, em silêncio, para escutar os cantos das aves marinhas que aproveitam a escuridadão da lua nova para aproximarem-se a terra sem ser vistos pelas gaivotas, grandes predadoras das aves marinhas.  

I finished with my fingers full of wounds caused for climb the rough basalt rocks. The dangerous area seemed even more barren and wild than the others. We were sitting there for a few minutes, watching the big waves passing through the channel between our islet and the Desembarcadouro islet, into the west. The waves were risen over two meters and the wind disarranged their top with a white mane of foam behind him. An image of unearthly beauty.

In the evenings we did listens to try to confirm the presence of the pintainho. We sat in the guard of one of the limestone caves at the top of the cliff, or in the lighthouse door, protected from the wind, with the lights off, in silence, listening to the songs of seabirds that take advantage of the darkness of the new moon for approaching the land without being seen by gulls, the great predators of the seabirds.



Mas as noites foram silenciosas. Além de alguns grasnidos das gaivotas, escutamos aos roques de castro (Hidrobates castro), que se aproximavam a nos na escuridadão, em voo rasante para olhar quem é que nos éramos. São muito curiosos. Uma noite estávamos já prontas para dormir, e um deles entrou na casa, entre as mochilas. Sacamos-lhe para fora e como vimos que tinha uma anilha metálica, apontamos o número antes de solta-lho.


But the nights were quiet. In addition to some squawks of seagulls, we listen to roques de castro ou Band-rumped Storm-petrel (Hidrobates castro), approaching to us in the darkness, to investigate our identity. They are very curious. One night we were already prepared to sleep, and one of them entered the house, between the backpacks. We saw it had a metal ring, and we noted down the number before releasing him.
Um roquinho curioso

Á tarde e à noite descíamos ás encostas a procura dos ninhos. Encontramos  primeiro um ovo pequeno no topo duma fenda. Trepei para ver si ainda estava quente, mas como estava frio guardei-o para examiná-lo. Era muito pequeno para ter sido dum pintainho; pensamos que poderia ser de Alma Negra (Bulweria bulwerii), abandonado desde o ano passado. Pouco depois Sandra voltou com outro ovo abandonado, era diferente, maior, branco e com outra forma. Sole disse que tinha forma de ovo de pintainho, e essa noite deitamo-nos muito contentes, com esta prova da presença no ilhéu.

In the afternoon and evening we walked down to the cliffs search of nests. We first a small egg on top of a slit. I climbed up to see him was still warm, but I was cold-picked him to examine him. It was too small to have been of a chick; thought it might be of Alma Negra ou Bulwer's Petrel (Bulweria bulwerii), abandoned since last year. Shortly after Sandra came back with another abandoado egg, was different, larger, white and otherwise. Sole said he had ways of chick egg, and that night we lay down much wrangling with this evidence of their presence in the islet.

O ilheu Bartolo 
Também visitava-mos ao Bartolo, o nome que demos a uma grande rocha com a forma de um gigante comerochas, corcunda e com a boca aberta, na metade da encosta. Utilizávamos como ponto de orientação naquele labirinto de pedras pretas e blocos de basalto que trepávamos como gatas a procura de ocos e fendas que pareceram ninhos. A última tarde sentámo-nos num lugar desde onde víamos uma gruta que rugia com as ondas furiosas do mar, que levantavam uma bela cortina de espuma branca. De repente, Sole gritou emocionada apontando ao mar. Estávamos a ver um lobo marinho! Ficava muito perto de nós, e eu acho que assustou-se do barulho que fizemos com a nossa alegria, porque olhou para nós com a sua cabeça e mergulhou nesse momento. Estávamos muito contentes de ter visto este animal, nenhuma das três tínhamos visto nunca um deles em liberdade.


Also we visited to Bartolo, the name we gave to a large rock in the shape of a giant comerrocas, humpback and with his mouth open in the mid-cliff. We used it as an orientation point in that maze of black stones and basalt blocks which we were climbing as cats looking for hollow and cracks that looked like nests. The last afternoon we sat in a place from what we saw a cave that roared with wild waves of the sea, which raised a beautiful white foam curtain. Suddenly Sole shouted thrilled pointing to the sea. We were watching a sea wolf! It was very close to us, and I think that scared up the noise we made with our joy, because look at us with his head and dove right now. We were very pleased seeing this animal, none of the three had never seen one in the wild. 

O pequeno almoço do ultimo dia
No último dia tínhamos encontrado ao menos 6 ovos abandonados diferentes. Metemos num pacote bem protegido para levar à sede da SPEA para o seu estúdio pormenorizado e recolhemos toda a nossa equipagem para descer de novo até o pequeno embarcadouro. Mas o bote zodiac dos vigilantes do Parque Natural não chegava! Se calhar o mar estava muito mau? Íamos ficar no ilhéu abandonadas nós também, da mesma forma que os ovos?

Uma hora mais tarde, a Laura, a nossa colega que tinha ficado com a Estefania no ilhéu do Desembarcadouro, ligou para nós a dizer que tinha visto o bote zodiac na nossa direção! Estávamos salvas!

PS: Temos medido os ovos e nenhum é de pintainho… são muito pequenos. É possível que o pequeno seja de roque de castro, e os restantes de Alma Negra. Na próxima lua nova, vamos continuar a nossa pesquisa no pequeno ilhéu com a esperança de encontrar alguma pista da presença desta pequena ave marinha.

On the last day we had found at least 6 different abandoned eggs. We put in a well-protected package to carry to SPEA headquarters for a detailed studio; then we collect all our lugagge to descend again until the small dock. But the zodiac boat of the Natural Park was not coming! Maybe the sea was very bad? We were going to stay in abandoned islet us also, like eggs?

An hour later, Laura, our companion who had been with Estefania in the Desembarcadouro islet, I call in to say he had seen the zodiac boat in our direction! We were saved!


PS: We have measured the eggs and not one is from pintainho ... they are very small. It is possible that small is from roque de castro, and the rest of Black Soul. On the next new moon, let's move our research on the islet with the hope of finding some clue of the presence of this small seabird.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Fica aqui o meu desejo de um feliz 2015!

Mais um ano passou, quer dizer que apresenta-se pela frente um ano novo ainda por preencher. 
Como "um caderno novo com todas as folhas vazias e sem rastos de nenhuma presença", assim é a sensação dos primeiros dias de janeiro...
Seja por religião, tradição, costume, não haver alternativa, ou simplesmente porque gostam ou porque sim, nesta altura do ano muitas pessoas juntam-se em familia e amigos com o objetivo de passar bons momentos. 
Para aqueles que vão passar estas datas com a familia, com os amigos, trabalhando, em casa, de férias, a viajar, presos pelo tránsito, sozinhos, com vinho, sem vinho, ou esquecidos em algum aeroporto... espero e desejo que as coisas boas do 2014 sejam as piores do 2015!

Feliz 2015!!



Soledad Álvarez


Another year passed, that means it is time to face a new year still unfilled.
Like "a new notebook with all empty pages and without traces of any kind of presence," so is the feeling of the first days of January ...
Due to religion, tradition, customs, lack of alternative or simply because they like, at this time of the year many people join family and friends in order to have a good time.
For those who will pass these days with family, with friends, at work, at home, on holidays, travelling, stucked in the traffic, alone,with wine, without wine, or forgotten in some airports ... I hope and wish that the good things of 2014 will be the worst ones of 2015!

Happy 2015!!