segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Novo projeto para a SPEA Madeira: LIFE Pterodromas4future

* A SPEA é parceira de um novo projeto de conservação: o LIFE Pterodromas4future *

Juvenil de Freira-da-madeira. Foto por Cátia Gouveia.

Este novo projeto do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM (IFCN), decorrerá no Maciço Montanhoso da Madeira e nas Ilhas Desertas, e tem como objetivo proteger duas aves marinhas endémicas que lá nidificam: a Freira-da-madeira e a Freira-do-bugio!

Freira-do-bugio (Pterodroma deserta)

Freira-da-madeira (Pterodroma madeira). Fotos por Martin Lofgren

Durante 5 anos, e através da monitorização da população, este projeto servirá para reabilitar o habitat destas aves, que são muito afetadas pela degradação de habitat e por predadores.

Projeto ‘Pterodromas4future’, que já teve ‘luz verde’ da Comissão Europeia, é considerado estratégico para a conservação da Freira da Madeira e da Freira do Bugio, para os próximos 5 anos. Os trabalhos vão incidir sobretudo no habitat da Freira-da-madeira, no Maciço Montanhoso, dado que esta espécie possui somente 65 a 80 casais e sofre mais ameaças que a sua prima, Freira-do-bugio, nidificante nas Desertas, com 160 a 180 casais reprodutores.

Poluição luminosa observada desde o Pico do Areeiro. Foto por Rúben Jesus.

Estas aves marinhas sofrem várias ameaças como a degradação de habitat, introdução de predadores, incêndios e poluição luminosa. A freira-da-madeira, por nidificar na ilha da Madeira, está muito susceptível a estes factores.

Estas aves têm sido alvo de trabalhos de conservação desde os anos 80, e já ocorreram dois projetos LIFE (LIFE Freira-da-madeira e LIFE SOS Freira-do-bugio). No entanto, estes terminaram há mais de 12 anos, pelo que é imperativo continuar a preservar estas espécies.

O trabalho da SPEA neste novo projeto incidirá maioritariamente na proteção da espécie relativamente à poluição luminosa, procurando mitigar esta problemática que tem vindo a aumentar anualmente em todo o mundo.

Juvenil de Freira-da-madeira recolhida no Funchal, no âmbito da Campanha Salve uma Ave Marinha, vítima de encandeamento. Foto por Tiago Dias.




sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

A minha experiência de voluntariado na SPEA | Testemunho de Sara Duque

O meu voluntariado para a SPEA, surgiu quase como uma sequência natural depois de algum tempo a observar aves. Apesar de algum receio em aventurar-me numa área para a qual não me tinha formado, sempre tive em mim uma necessidade em ajudar quem precisa e não tem voz. Por esta altura já tinha algum conhecimento sobre algumas aves, como as rapinas entre outras, baseado na observação e comparação com a informação disponibilizada em livros como O Guia de Aves de Portugal e da Europa, assim como diversos sites como o Atlas das Aves na Madeira, as Aves de Portugal, o eBird e a SPEA.

A minha vontade em desafiar-me a sair da minha zona de conforto, levou a que contactasse a SPEA em 2021, demonstrando o meu interesse e disponibilidade em participar inicialmente no Censo das Mantas (Buteo buteo). No site da SPEA tem toda a informação sobre o censo e a sua metodologia, tornando se bastante acessível a sua compreensão. Após a atribuição dos percursos, sobre o qual iria fazer a contagem, fui fazer o censo numa manhã de sábado com o meu marido e filha. Aquilo que costumávamos fazer em família, em dar passeios para observar aves e identifica-las, naquele dia era diferente, pois iríamos registar a quantidade das rapinas que víamos, para contribuir na contagem total de Mantas que existiam à data na Madeira e Porto Santo. 

Iniciamos a contagem na estrada regional, a partir da Ponta de São Lourenço, de carro em marcha lenta como era recomendado, em direcção a Machico para depois acabarmos junto ao Campo de Golf do Santo da Serra. Durante todo o percurso, conseguimos observar algumas Mantas, a sua maioria em voo e uma ou outra poisada em postes de electricidade. A experiencia no geral foi muito positiva, pois conseguimos cumprir o objectivo do censo, apesar de naquele dia termos observado esta ave, em menos quantidade do que era habitual naquele percurso.


Depois desta experiência ficou a vontade de fazer mais voluntariado, por isso continuei a seguir a agenda das actividades da SPEA, para que quando eu tivesse disponibilidade, e houvesse outra atividade, que me sentisse preparada, iria participar com certeza. Queria contribuir para a preservação e estudo das aves, assim como aumentar a minha experiencia e aprendizagem em campo. Por esta altura já conseguia identificar algumas aves quer visualmente mas também pelo canto ou chamamento. Por isso quando soube da realização do CAC, Contagem de Aves Comuns, quis participar. Pois durante um Webinar sobre a metodologia e resultados do CAC anterior, apercebi me que havia uma falta de registos do censo em grande parte da ilha da Madeira.

Após contacto com a coordenadora da Spea Madeira foi me atribuída uma quadricula, no mapa da ilha, que incluía o Santo da Serra e Porto da Cruz, e que não era contabilizada a alguns anos. A metodologia era diferente da anterior, assim como o objectivo do censo. Pretendia-se contabilizar as diferentes espécies de aves comuns que surgiam nas primeiras horas da manhã, em diferentes pontos de um percurso predefinido. Eram cerca de 20 pontos de escuta nos quais teríamos de parar o carro, e registar todas as aves comuns que víamos e ouvíamos.

Eu e a minha filha fizemos três vezes o percurso, em dias diferentes, no qual o primeiro foi para conhecer, a sua localização e georreferência de todos os pontos de escutas, em modo de passeio numa tarde solarenga. As outras duas vezes em que fizemos os registos, já foram feitos a conta relógio, porque iniciamos de madrugada antes de o sol nascer, com muito frio e escuridão, com paragens de apenas 5 minutos em cada ponto, para registar grande parte do que se ouvia e não se via, isto tudo com a minha filha ainda a dormir no carro. 

Foi nesta altura que me apercebi que aqueles cantos de aves que já reconhecia complicaram-se em apenas 5 minutos. A sinfonia de sons que surgiam naquelas primeiras horas da manha, era lindo, divinal até mesmo paradisíaco, mas saber quem é que cantava cada um dos sons em separado, quando todas as aves cantavam ao mesmo tempo e a diferentes distancias, tornou-se extremamente difícil. Aos poucos lá fui conseguindo identificar alguns sons, outros gravei para mais tarde tirar duvidas no eBird, mas sei que alguns se perderam no meio de todo aquele concerto musical. 

Acredito que com a prática de campo, associando de preferência o canto à imagem da ave, com varias tentativas e alguns erros pelo meio, conseguirei melhorar a minha capacidade na identificação das aves, ao longo do tempo.

Em Outubro/Novembro desse ano, a campanha Salve uma ave marinha, foi mais uma oportunidade de participar como voluntario, mas que me marcou de outra maneira, pois desta vez tive contacto directo com as aves, ao recolhe-las e depois liberta-las em local seguro. 

Durante quase um mês, todas as noites depois do jantar, saía de casa com a minha filha, à procura de aves marinhas caídas pelo encadeamento das luzes da via pública, nos estacionamentos do Aeroporto Internacional Cristiano Ronaldo e no Parque Desportivo de Água de Pena. Nas primeiras noites de patrulha e por ser estreia, era difícil saber e ver onde procurar, e sentia-me por vezes, mais desorientada do que as próprias aves. Pensava também, que o fato de não encontrar nenhuma ave, talvez fosse um bom sinal, de que nenhuma tinha se desorientado no seu percurso até ao mar.


Depois fui percebendo com a experiencia e relatos de outros resgates, feitos por Voluntários da Spea, onde e como procurar. Assim nas noites mais escuras, onde não víamos a lua, conseguimos resgatar algumas cagarras (Calonectris diomedea borealis), que depois soltamos à noite num local escuro junto ao mar. Nessa altura quando poisamos a ave perto mar, durante alguns minutos, ela sentia a maresia, o barulho, a agitação marítima e abria as asas umas quantas vezes, como a se preparar para a sua longa viagem. De repente, saltava em direcção ao mar, voando para longe, por vezes não sem antes, dar uma volta e passar por cima de nós, como a agradecer a nossa ajuda e a despedir se até para o ano ou mais. Nessa altura, sentimos felizes, descansados e até “mais leves”, sabendo que fizemos a diferença na vida daquela ave e das suas gerações vindouras.

Confesso que a noção que poderia chegar tarde demais ao resgate das aves, perante a sua vulnerabilidade ao perigo de predação por outros animais, ou atropelamento por veículos, gerou em mim um certo nível de ansiedade, mesmo sabendo que não poderia resgatar todas as aves. Ao conhecermos os comportamentos e o habitat destas aves, percebemos as dificuldades e fragilidades, que estas estão sujeitas todos os anos, no regresso a terra na época de reprodução e daí a importância de salvar uma ave marinha que seja.

Finalmente nos últimos dias do ano, fui experimentar fazer o Projeto de Arenaria, no passeio marítimo do Funchal. Este censo pretende contabilizar essencialmente aves costeiras, assim como outras aves que se encontrem naquelas praias e costas, nas 3 horas antes e depois da maré baixa.

A minha disponibilidade depois do trabalho, nem sempre coincidia com este horário e o estado do tempo em terra e no mar (vento e chuva), limitava muitas vezes a realização deste censo. Por fim, conseguimos na véspera do ano novo, fazer o percurso que inicia no Forte de Santiago a este e finaliza a oeste no Cais 8, junto ao Hotel do Cristiano Ronaldo.

Desde o inicio fomos observando e contabilizando essencialmente as aves que estavam pousadas, nas rochas, praias ou a descansar no mar. Conseguimos observar uma Rola-do-mar (Arenaria interpres) numa rocha e uma serie de gaivotas de patas amarelas (Larus michahellis), de asa escura (Larus fuscus), de cabeça preta (Ichthyaetus melanocephalus) assim como uns 5 Guinchos-comuns (Chroicocephalus ridibundus) pousados em um dos pontões ali existentes. Estávamos à espera de contabilizar mais aves costeiras invernantes, especialmente Limícolas, mas naquela tarde cheia de sol, havia muitas perturbações, naquele percurso. Existia muitas pessoas nas praias, muitas famílias em passeio, bicicletas que circulavam entre cães que corriam, sem faltar para-quedistas em treino que saltavam para o seu número marcado para a noite de fim de ano. Por fim, parte do percurso estava também inacessível e não foi contabilizado porque aí estava instalado o Parque de Diversões, que limitava o acesso. 

Foi portanto no ano passado que comecei esta aventura, cheia de experiencias e conhecimentos novos para mim, de um acordar para o mundo natural que nos rodeia, da necessidade de estudar e proteger as nossas espécies de fauna e o seu habitat, e que naturalmente pretendo continuar a participar. Este foi apenas o meu percurso, haverá outros voluntários, com mais ou menos experiencia e conhecimento que eu, mas penso que o mais importante é haver cada vez mais pessoas com interesse e vontade, de uma forma ou outra ajudar esta causa tão importante que é a preservação do nosso planeta.

Sara Coelho Duque



sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Novo projeto para a SPEA Madeira: LIFE4BEST Puffinus

 * A SPEA é parceira de um novo projeto de conservação: o LIFE4BEST Puffinus *


O patagarro Puffinus puffinus é uma espécie de hábitos pelágicos, podendo, contudo, ocorrer próximo da costa. Conhecido como fura-bucho-do-atlântico no continente, e estapagado nos Açores, é uma ave marinha com uma dimensão média a grande que possui uma coloração preta uniforme na parte superior e branca na inferior. A sua plumagem, na altura do verão, pode parecer acastanhada devido à maior luminosidade.

Na Macaronésia, a informação sobre a ecologia e biologia do patagarro é escassa devido à reduzida densidade populacional e à dificuldade de monitorização da espécie, que nidifica em escarpas de áreas remotas no interior da ilha. Classificada com estatuto de conservação Vulnerável nos Açores, Canárias e Madeira, enfrenta a ameaça dos predadores terrestres e a perda de habitat, resultado da proliferação de plantas invasoras e fogos.

Na Madeira, esta espécie é conhecida por nidificar em falésias no interior da ilha, acima dos 500 metros de altitude, em zonas de floresta nativa, com pouca rocha nua e boa cobertura arbustiva, como é o caso do Vale de Santa Luzia, no Parque Ecológico do Funchal, onde existem ninhos acima dos 1200 metros de altitude.

Através do controle de invasoras e monitorização da população, este projeto servirá para reabilitar o habitat desta ave, que foi muito perturbado por incêndios e pela proliferação de espécies invasoras como a giesta e carqueja.

Com o novo projeto LIFE4BEST Puffinus, em parceria com o Parque Ecológico do Funchal, pretendemos alcançar os seguintes objetivos:

📌 Atualizar e aumentar o conhecimento da distribuição e abundância do patagarro na ilha da Madeira

📌 Aumentar o habitat de nidificação para a espécie

📌 Sensibilizar a população para a conservação de uma das espécies mais raras no arquipélago


Nos últimos meses os trabalhos de preparação para acompanhar a época de reprodução do Patagarro prosseguem a bom ritmo.

É já a partir de janeiro que os indivíduos desta espécie regressam à colónia existente no Parque Ecológico, mais concretamente no vale de Santa Luzia, após um período migratório no atlântico sul entre julho e dezembro.

A equipa do projeto tem desenvolvido vários trabalhos com vista a assegurar as atividades previstas no âmbito do projeto LIFE4BEST Puffinus, que teve início em julho de 2021.

Nesta fase já foram construídos e colocados os ninhos artificiais nas zonas onde existia uma área de nidificação que ficou destruída pelos grandes incêndios florestais que ocorreram no passado.

Foram instaladas 4 estações de gravação automática conhecidas como ARUs (Automated Recording Units), para monitorizar a atividade vocal da espécie, permitindo avaliar o atual estado da colónia. Vamos agora aguardar com grande expetativa o regresso desta ave marinha que é um dos símbolos do Parque Ecológico do Funchal.

Saiba mais sobre a cronologia reprodutiva do patagarro:

- os primeiros indivíduos chegam à colónia a meados de janeiro

- a postura (um único ovo) ocorre entre fevereiro e a primeira quinzena de março

- a incubação demora cerca de 50 dias e é feita por ambos os progenitores

- a fase de crescimento das crias demora cerca de 69 dias, durante a qual os pais alimentam a cria

- os juvenis começam a abandonar os ninhos no final de junho, havendo alguns indivíduos que só partem para o mar no final de julho.

 

🔍 Saiba mais sobre o projeto em: https://www.spea.pt/projetos/life-4best-puffinus/

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Projeto ARENARIA

 'Monitorização da Distribuição e Abundância de Aves nas Praias e Costas de Portugal'

O Projeto Arenaria pretende estudar as tendências populacionais das aves costeiras invernantes, que acompanha desde 2011, e sensibilizar para a conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos. Este projeto conta com a participação de voluntários em Portugal Continental, Madeira e Açores. Gostaria de fazer parte deste projeto de ciência-cidadã? Contate o responsável pela sua área. No caso da ilha da Madeira e Porto Santo, a SPEA Madeira está encarregue dos censos, que serão feitos nas seguintes praias:
  • Porto Santo
  • Machico
  • Porto da Cruz
  • Santa Cruz
  • Reis Magos
  • Frente-mar Funchal
  • Praia Formosa Funchal
  • Câmara de Lobos
  • Ribeira Brava
  • Lugar de Baixo
  • Madalena do Mar
  • São Vicente
  • Garajau

 

Para a época de 2021/22, o Projecto Arenaria tem como principais objectivos:

1. Assegurar a contagem de todas as quadrículas de monitorização que permitem uma análise mais fina das tendências populacionais das aves estudadas.

2. Sensibilizar o público em geral para a conservação dos ecossistemas marinhos e costeiros e para a biodiversidade a eles associada.

3. Repetir o Censo Nacional do Pilrito-das-praias, realizado pela última vez na época de 2015/16.

 

Que aves podem ser contabilizadas?

a. Limícolas. Durante o censo deverá ser dada prioridade à contagem deste grupo. O esforço adicional para   contar outras espécies não deve, em circunstância alguma, comprometer este objectivo;

b. Corvos-marinhos Phalacrocorax carbo e P. aristotelis;

c. Garças (Ardeidae);

d. Gaivotas (Laridae);

e. Garajaus (Sternidae);

f. Outras aves marinhas, como pardelas (Puffinus sp.), alcatrazes (Morus bassanus), patos-marinhos (e.g.   Melanitta sp.), moleiros (Stercorarius spp.), alcídeos (e.g. Alca torda), etc.;

g. Guarda-rios Alcedo atthis;

h. Falcões-peregrinos Falco peregrinus.

Adicionalmente, deverão ainda ser contadas, para registo de perturbação o número de pessoas, cães sem trela e veículos (motorizados ou não).

De forma a detetar as aves que estejam a utilizar a faixa costeira, os observadores devem deslocar-se a pé e contar todos os indivíduos presentes, com auxílio de binóculos. A deteção das aves no mar deverá ser feita exclusivamente à vista desarmada, ou seja, sem recorrer a binóculos (que podem e devem, contudo, ser utilizados para auxiliar a identificação). Aconselha-se que o observador conte as aves à medida que passa por elas;

Sempre que for possível deverão ser efetuadas contagens exatas sem necessidade de recorrer a estimativas, com exceção dos bandos grandes de gaivotas, por exemplo. Relativamente a este grupo, deverão ser efetuadas contagens exatas para bandos até 50 inds.; para bandos maiores, poder-se-á arredondar até à dezena os bandos de 51-250 inds., arredondar à vintena os bandos de 251-500 inds., e arredondar à meia centena os bandos superiores a 500 indivíduos;

A deslocação dos observadores deverá evitar a perturbação das aves e não causar movimentos desnecessários das mesmas, minimizando desta forma a duplicação de registos.

As limícolas deverão ser registadas por biótopo (areia, rocha, zona húmida ou outro, que deverá ser especificado), tal como indicado nas fichas de campo. Nos casos em que um grupo de aves estiver claramente a ocupar dois biótopos, por exemplo um bando simultaneamente poisado numa plataforma rochosa e na areia, deverão ser discriminados os indivíduos que estão a utilizar a plataforma e a areia. Deverá ser dada especial atenção às contagens das zonas rochosas, uma vez que o comportamento e a plumagem da maior parte das espécies presentes, nomeadamente a rola-do-mar e o pilrito-escuro, as tornam menos conspícuas.

Quando fazer o trabalho de campo?

O período de contagens será de 1 de Dezembro de 2021 a 31 de Janeiro de 2022;

Deverá ser feita uma única contagem em qualquer altura, desde que efetuada dentro de um período de seis horas contado a partir das três horas antes até três horas depois da baixa-mar;

As contagens deverão ser efetuadas com condições de tempo e de mar favoráveis, quer por motivos de segurança, quer porque a detetabilidade de algumas espécies pode diminuir fortemente com condições adversas;

É de evitar fazer contagens com vento e ondulação muito fortes e chuva intensa.


Contribua para este censo de ciência-cidadã!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Atentado Ambiental nas Ginjas

A obra da pavimentação do caminho das Ginjas - Paul da Serra tem vindo a ser um assunto "quente" na região, desde 2019. A SPEA, desde o início, se opôs a este atentado ambiental, que terá diversos impactes negativos na floresta Laurissilva, sendo esta uma zona protegida classificada como Rede Natura 2000 e Património da Humanidade pela UNESCO.

Orçamentada em 12 milhões de euros, a primeira consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental (9/02/2021) obteve 132 participações, tendo sido feito uma "reformulação do projeto" que não apresentou grandes melhorias.

O segundo EIA esteve apenas 10 dias úteis em consulta pública (26/11 a 07/12), mas superou o número de participações, com mais 77 que a anterior. Estas 209 participações no total, contaram com o parecer negativo da SPEA, juntamente com outras 10 ONG's regionais e nacionais.

As Organizações não-governamentais que participaram e consideram que o Estudo de Impacte Ambiental deve ser desfavorável e que o Projecto da obra da "Estrada das Ginjas" deve ser abandonado, foram:

• Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA)

• ANP|WWF Portugal

• Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal

• Associação para a Defesa e proteção das Florestas Laurissilva (DFLP)

• FAPAS

• Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA)

• Iris – Associação Nacional de Ambiente

• Liga para a Proteção da Natureza (LPN)

• Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

• Sociedade Portuguesa de Ecologia (SPECO)

• ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável


É de salientar a resiliência dos cidadãos ativos na resposta a esta consulta pública, que não foi anunciada pelo Governo Regional da Madeira e que apenas disponibilizou 10 dias úteis para analisar cerca de 1000 páginas de um Estudo de Impacte Ambiental.

Este último, após análise da SPEA, mesmo depois de reformulado continua a apresentar ilegalidades, falhas técnicas graves e uma tentativa grosseira de ocultar o estado atual do ambiente no local. Este caminho situa-se dentro da Rede Natura 2000 e atravessa áreas de habitats classificados como prioritários para a conservação da natureza, e onde ocorrem espécies prioritárias para a conservação a nível europeu. Por isso, segundo a legislação europeia, este projeto tem obrigatoriamente de ser alvo de um processo de Avaliação de Impacto Ambiental com requisitos legais que o atual Estudo de Impacte Ambiental não cumpre:

  • Não demonstra nem fundamenta a necessidade do projeto;
  • Não estuda nem compara alternativas ao projeto, nem inclui a alternativa zero, como exige a Diretiva Habitats para projetos que afetam da Rede Natura 2000;
  • Não carateriza adequadamente a situação de referência no que diz respeito à flora e fauna protegida e prioritária no âmbito das Diretivas Aves e Habitats. Não efetuou os investimentos suficientes para a recolha de informação na área do projeto e de grupos da fauna prioritários, como os insetos e os gastrópodes terrestres;
  • Não tem em conta nem o trabalho, nem o investimento em restauro dos habitats e das espécies ameaçadas que foram desenvolvidos anteriormente na área do projeto, financiados com dinheiros públicos;
  • Não identifica, nem avalia corretamente, os impactos sobre as espécies e habitats prioritários, nem avalia devidamente os impactos cumulativos desta construção com outras infraestruturas no local, como são os parques eólicos na envolvente;
  • Como consequência direta da insuficiente caracterização da situação de referência e deficiente identificação de impactos ambientais, também não são indicadas medidas de minimização, compensação e monitorização adequadas e suficientes para cumprir com as garantias exigidas pela Diretiva Habitats na salvaguarda da Rede Natura 2000.


O papel das ONG’s na defesa do ambiente é importante, mas também precisamos da sua voz!